RACISMO AMBIENTAL NA FORMAÇÃO INICIAL DE PROFESSORES DE CIÊNCIAS (BIOLOGIA E QUÍMICA): SABERES TERRITORIAIS E PERCEPÇÕES DE LICENCIANDOS DA REGIÃO NORTE DO BRASIL
DOI:
https://doi.org/10.51891/rease.v12i10.31092Palavras-chave:
Racismo ambiental, Formação de professores, Ensino de CiênciasResumo
Este artigo analisa as percepções de licenciandos em Ciências: Biologia e Química de uma instituição de ensino superior da Região Norte do Brasil acerca do racismo ambiental, articulando o debate às políticas de Educação Ambiental e de Educação para as Relações Étnico-Raciais. Trata-se de pesquisa qualitativa e exploratória, com 19 respondentes, cujos dados, coletados por questionário no Google Forms, foram tratados por Análise Textual Discursiva. Os licenciandos mobilizam uma leitura territorial das injustiças socioambientais, ancorada na Amazônia, como a contaminação por mercúrio associada ao garimpo, as queimadas em terras indígenas e a moradia em palafitas sem saneamento, e reconhecem que populações negras e periféricas são as mais afetadas pelos problemas ambientais. Afirmam, ainda, que o curso valoriza os saberes de comunidades tradicionais e a justiça social, mas que o racismo ambiental não foi tematizado nas disciplinas cursadas e que não se sentem preparados para abordá-lo, lacuna que a literatura identifica em âmbito nacional. Conclui-se que esses saberes territoriais constituem ponto de partida privilegiado para integrar o racismo ambiental, de forma explícita e sistemática, à formação inicial de professores de Ciências, Biologia e Química, com vistas a uma atuação docente não apenas não racista, mas antirracista.
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