A ALFABETIZAÇÃO, O ENSINO REMOTO E A PANDEMIA DA COVID-19: DESAFIOS E OPORTUNIDADES – UM ESTUDO NUMA ESCOLA PÚBLICA DO DISTRITO DE SÃO DOMINGOS-PE
DOI:
https://doi.org/10.51891/rease.v12i6.27916Palavras-chave:
Alfabetização. Professor. Aluno e Docência. Ensino Remoto. Período Pandêmico e COVID-19. Práticas Pedagógicas.Resumo
Por sua vez, a metodologia escolhida para esse estudo tem respaldo em uma pesquisa do tipo bibliográfica e atrelada por uma abordagem eminentemente qualitativa e exploratória. Para a continuidade do estudo a coleta de dados se deu a partir da aplicação de um questionário com (15 perguntas abertas e fechadas) para um público de 10 professores atuantes (entre 15 a 25 anos de experiência) no ensino fundamental dos anos iniciais (1º ao 5º ano) no período pandêmico da COVID-19. Por outro lado, mesmo estando no período pandêmico, o acesso e o contato, para aplicação da pesquisa, aconteceu através de uma conversa de modo presencial, ou seja, seguindo todo o protocolo do governo local. Deste modo, foi exposto a proposta do trabalho e realizado a entrega do questionário impresso, os quais foram recebidos e entregues dentro de um prazo estipulado de 30 dias. Assim, os dados coletados foram tabulados e arrolados em 15 gráficos, 1 quadro e 3 tabelas, exclusivamente de forma qualitativa/exploratória com um repertório de autores que corroboram com a efetividade da alfabetização dentro do processo de ensino-aprendizagem para o momento. A fim de transcorrer com a pesquisa, recorremos aos pressupostos teóricos de estudiosos como: Celino et al (2016); Vygotsky (1989); Zabala (1988); Tiba (2012); Freire (1996); Santos (2020); Santos e Souza (2019); Silva (2020); Silva & Silva (2021); Monteiro (2020); dentre outros. Sabe-se que o desafio da Pandemia da COVID-19 foi árduo, porém, segundo Vygotsky (1989) “A aprendizagem é o resultado da interação do aprendiz com o ambiente através da sua experiência, compartilhada em um momento histórico e com determinantes culturais particulares” (p. 106). Nesse sentido, o processo de aquisição da leitura e da escrita, deve ser necessariamente um processo de internalização do objeto a ser aprendido. Compreendendo e concordamos que o alfabetizar tem esse caráter desafiador, e bastante complexo para os educadores mediante as diferentes variáveis diante do processo de alfabetizar com as particularidades que se destaca a cada perfil de educando, tomando o processo de alfabetizar diferenciado a cada indivíduo. Chegamos a pensar que no período pandêmico da COVID-19, sobremaneira foi um desafio constante, diário e contínuo, isto é, enquanto perdurou. Mas, por outro lado, essa construção não se dá de forma isolada, na relação (professor x aluno), mas associada às interações, em um processo de troca de estímulos entre seus atores, cada qual com sua parcela de contribuição na construção do conhecimento, assim estabelecendo as partículas de influências que facilitam a inserção e desenvolvimento da criança nesse mundo letrado permeado pela alfabetização. Alinhando a este pensamento, recorremos a Zabala (1988), quando afirmava que o aprender é indispensável desde que se proporcione um ambiente adequado, estimulante para que o indivíduo possa constituir boas experiências e construa as boas relações diante desse processo que é a leitura. Concordamos que a aprendizagem é potencializada quando se gera a confiança e o respeito mútuo entre os pares, quanto maior for a sinceridade, mais essa competência vai tendo maior significado. Zabala (p. 100) aponta que: “A aprendizagem ocorre quando convergem as condições que estimulam o trabalho e o espaço”. Para além disso, Tiba (2012) já dialogava que o conhecimento é essencial ao ser humano. E assim afirmava mencionando que o conhecimento é transcender o seu mundo para alcançar uma altura que jamais atingiria se não se aplicasse nos estudos. Quem sabe ensina, e a criança quando aprende, quer ensinar. Já quem não sabe tem de aproveitar a oportunidade para aprender. Ao praticar o que aprendeu a criança logo está ensinando e, ao mesmo tempo, aprendendo algo que não há como ensinar com palavras, mas sim por meio da ação: mesmo quem já sabe tanto como o pai tem sempre o que aprender (p. 87). Nesse aspecto, buscamos Libâneo (2013) quando comunica a respeito das metodologias e as determinações didáticas dos professores, contudo, chegamos a entender que ele tem total razão quando afirma que os métodos são determinados pela relação objetivo-conteúdo, e referem-se aos meios para alcançar objetivos gerais e específicos do ensino, ou seja, ao “como” do processo de ensino englobando as ações a serem realizadas pelo professor e pelos alunos para atingir os objetivos e conteúdos. Por essa razão, Freire (1996), também já esclarecia que o professor deve assumir uma prática que promova a reflexão do aluno sobre a realidade (na pandemia da COVID-19) era essencial. Isso é primordial para que ele se torne um cidadão participativo e crítico. Por essa mesma ótica, problematizar as situações vivenciadas, discutir diferentes pontos de vista e buscar soluções para os problemas, os alunos desenvolvem a capacidade de analisar criticamente as questões que os envolvem, contribuindo para sua formação como sujeitos ativos na sociedade. O período pandêmico necessitou desse olhar mais acurado do processo de ensinagem. Em se tratando do ensino remoto Santos (2020) fez questão de esclarecer que o novo cenário tecnológico pós-pandemia nas turmas de alfabetização nos anos iniciais e a influência do ensino remoto, caiu como uma bomba no colo dos professores, que não estavam preparados para essa evolução do ensino, ou melhor migração de ensino de presencial para remoto, Assim, “a pandemia e a quarentena estão para a revelar que são possíveis alternativas, que as sociedades se adaptam a novos modos de viver quando tal é necessário e sentido como correspondendo ao bem comum. No entanto, Monteiro (2020) também fez questão de advogar e alegou que: o ensino remoto tornou-se uma alternativa para que o processo de aprendizagem pudesse ser mantido e nas turmas de alfabetização as ações práticas com recursos concretos tiveram que ser substituídas por recurso de mídias, jogos, atividades interativas, e assim com esse novo cenário, na (p. 6) ele segue: “[...] os professores passaram a ser mediadores de um novo modelo de aprendizagem que acontece na internet e com as ferramentas por ela viabilizadas”. Assim, é importante examinar como essa nova realidade (COVID-19) impactou as turmas de alfabetização que trocaram a prática diária presencial por um ambiente virtual, ambiente esse que muitas vezes era utilizado pelo aluno apenas como entretenimento. E, diante dessa realidade, as turmas de alfabetização foram uma das que mais sofreram diante da transição do ensino, visto que até então não se falava em alfabetização remota. Celino et al (2016) esclarece que: “os alunos e professores apresentam-se em um momento novo, no qual a conexão é instantânea, a comunicação ocorre de forma articulada pelas redes de comunicação” (p. 4). Nesse período da COVID-19, o professor alfabetizador precisou trazer suas habilidades e estratégias do ensino presencial para o campo digital, com a criação e adaptação de materiais didáticos, para o ambiente virtual. Entretanto, os professores precisaram aprender a desenvolver atividades interativas e envolventes que promovessem a participação dos alunos e estimulassem a aprendizagem a distância. Por fim, sabe-se que as crianças dos anos iniciais têm um contato mais precoce com a tecnologia, uma vez que estão inseridas em uma sociedade cada vez mais tecnológica. Desde muito cedo, elas têm acesso a dispositivos eletrônicos e aprendem a utilizá-los de forma intuitiva. No entanto, é fundamental ressaltar que o uso da tecnologia na alfabetização não deve substituir práticas pedagógicas tradicionais, mas sim, ser um recurso complementar que após período pandêmico vimos sua potencialidade quando bem utilizado como instrumento aliado no processo de aprendizagem. Para concluir Silva (2020) argumenta que: “O educando de hoje é um nativo digital, possuindo surpreendentes habilidades para lidar com as tecnologias” (p. 10). Desse modo, Souza e Santos (2019) também dialogaram a esse respeito: “A tecnologia está cada vez mais ocupando espaço na vida das pessoas e a escola não pode ficar inerte diante dessa realidade” (p. 43). Para tanto, Monteiro e Morais (2020) foram assertivos: “Para manter o engajamento da turma ou aluno, o professor foi desafiado a tornar o ambiente da sala de aulas interativo, pois a principal dificuldade enfrentada pelos professores durante o ensino remoto, foi a falta de engajamento dos alunos. Sobretudo, e diante desse novo modo de ensino, o educador teve que se reinventar e transformar suas práticas, de modo que o aprender fosse mais ”[...] criativo, crítico e ativo, de modo a desenvolver a autonomia do aprendiz [...]” (SILVA; SILVA; 2021, p.2). Assim, podemos perceber o quanto a alfabetização nesse período foi prejudicada e o professor dos anos iniciais (1º ao 5º ano) precisou inovar e ser criativo para que o foco da aprendizagem tivesse êxito, mas o estudo revelou o contrário: apontando que apesar de terem uma boa formação e experiência, os professores não estavam preparados para o ensino remoto, não tinham ainda o domínio sobre os recursos e as novas metodologias que iriam utilizar, neste sentido, a pesquisa mostrou a insatisfação acerca da disponibilidade de recursos e suporte, por parte do município, instituição de ensino e equipe pedagógica. Além disso, os dados colhidos mostraram que com uma sobrecarga de trabalho e responsabilidades (sobre e para) o professor, o processo de ensino foi afetado fortemente por diversos fatores, e um deles que ficou em destaque foi a baixa adesão ao ensino remoto, onde em média 35% dos alunos das turmas, participaram do ensino remoto na escola campo de pesquisa. Pode-se concluir, portanto, que em todo o processo da implementação pelo ensino remoto, alguns pontos não foram satisfatórios como: não houve uma estruturação adequada para este tipo de ensino, o que afetou fortemente o processo de alfabetização nas turmas dos anos iniciais, e consequentemente houve um atraso no processo de construção da escrita e leitura dos alunos, bem como ficou nítido que houve um grande número de alunos que não apresentaram uma boa efetivação do processo de alfabetização (nesse período) o que precisaria de maior reforço e cooperação por parte dos gestores da linha de frente das propostas pedagógicas quando foram implementadas para o período pandêmico da COVID-19.
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