O LUTO E O CÉREBRO: EVIDÊNCIAS NEUROBIOLÓGICAS E REPERCUSSÕES PSIQUIÁTRICAS EM ADULTOS
DOI:
https://doi.org/10.51891/rease.v12i10.30965Palavras-chave:
Enlutamento, Neurociência, Transtorno do Luto ProlongadoResumo
INTRODUÇÃO: O luto constitui uma resposta natural à perda de uma pessoa significativa, envolvendo alterações emocionais, cognitivas, comportamentais e fisiológicas. Embora geralmente adaptativo, em alguns indivíduos o sofrimento pode persistir e comprometer o funcionamento, configurando manifestações compatíveis com o Transtorno do Luto Prolongado. Evidências apontam para a participação de mecanismos neurobiológicos relacionados ao processamento emocional, à memória, à resposta ao estresse, à motivação e à recompensa. OBJETIVO: Analisar as evidências disponíveis acerca das alterações neurobiológicas associadas ao luto em adultos e suas repercussões psiquiátricas, cognitivas e funcionais. MATERIAIS E MÉTODOS: Revisão integrativa da literatura realizada nas bases PubMed/MEDLINE, Scopus, Web of Science, SciELO e LILACS. Foram utilizados descritores controlados e termos livres relacionados ao luto e à neurobiologia, combinados pelos operadores booleanos AND e OR. Incluíram-se estudos publicados entre 2003 e 2025, em português, inglês ou espanhol, envolvendo adultos em situação de luto e abordando aspectos neurobiológicos, psiquiátricos, cognitivos ou funcionais. A seleção ocorreu por triagem de títulos e resumos, seguida de leitura integral e síntese qualitativa dos estudos elegíveis. RESULTADOS: Foram identificados 311 registros, dos quais 97 eram duplicados. Após a triagem de 214 registros, 168 foram excluídos. Dos 46 artigos buscados para leitura integral, quatro não foram recuperados e 42 foram avaliados quanto à elegibilidade. Após a exclusão de 30 estudos, 12 compuseram a amostra final. Os achados evidenciaram alterações envolvendo amígdala, córtices cingulados, regiões pré-frontais, núcleo accumbens e circuitos relacionados à recompensa, além de modificações no eixo hipotálamo-hipófise-adrenal, no cortisol, em marcadores imunoinflamatórios e no sistema oxitocinérgico. Também foram descritas associações com anseio persistente, pensamentos intrusivos, dificuldades de regulação emocional e alterações cognitivas e funcionais. CONCLUSÃO: O luto envolve mecanismos neurobiológicos complexos e inter-relacionados, especialmente aqueles ligados ao processamento emocional, à regulação cognitiva, à resposta ao estresse e à recompensa. Nas manifestações prolongadas, essas alterações podem associar-se a repercussões psiquiátricas, cognitivas e funcionais. Entretanto, a heterogeneidade dos estudos ainda impede a definição de biomarcadores específicos para o diagnóstico do Transtorno do Luto Prolongado, reforçando a necessidade de interpretação integrada dos achados biológicos, psicológicos e clínicos.
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