O MANEJO DO LUTO NA TERAPIA COGNITIVO-COMPORTAMENTAL: CONCEITUAÇÃO CLÍNICA, INTERVENÇÕES E DESAFIOS TERAPÊUTICOS
DOI:
https://doi.org/10.51891/rease.v12i10.31158Palavras-chave:
Luto, Transtorno do Luto Prolongado, Terapia Cognitivo-Comportamental, Psicoterapia, AdultoResumo
O luto constitui uma resposta humana esperada diante da perda de uma pessoa significativa e pode envolver manifestações emocionais, cognitivas, comportamentais, físicas e sociais. Embora a maioria das pessoas consiga integrar gradualmente a perda à própria trajetória, uma parcela dos enlutados apresenta sintomas persistentes, intensos e incapacitantes, compatíveis com o Transtorno do Luto Prolongado. Este artigo objetiva analisar, na revisão da literatura científica, as contribuições da Terapia Cognitivo-Comportamental para a compreensão e o manejo clínico do luto em adultos, considerando suas estratégias de intervenção e os desafios envolvidos na prática terapêutica. Realizou-se uma revisão integrativa, de caráter descritivo e abordagem qualitativa, composta por 13 artigos publicados entre 2005 e 2023, em português e inglês. Os estudos foram organizados em categorias relacionadas à delimitação clínica do luto, formulação cognitivo-comportamental, fatores de manutenção, intervenções terapêuticas e cuidados éticos. Os resultados indicam que as intervenções cognitivo-comportamentais dirigidas a pessoas com sofrimento persistente podem reduzir sintomas de luto prolongado, depressão, ansiedade e estresse pós-traumático. Entre os componentes mais frequentes estão psicoeducação, monitoramento do luto, avaliação de cognições relacionadas à perda, reestruturação cognitiva, exposição a memórias e situações evitadas, ativação comportamental, retomada de vínculos e planejamento de metas. A literatura também demonstra que a presença de tristeza não constitui, isoladamente, indicação de psicoterapia ou evidência de pensamento disfuncional. A intervenção deve decorrer de uma formulação individualizada, considerando sofrimento, prejuízo funcional, contexto cultural, rede de apoio e riscos clínicos. Conclui-se que a Terapia Cognitivo-Comportamental oferece recursos relevantes para o acompanhamento do luto, desde que sua aplicação respeite a singularidade do enlutado e não transforme uma experiência humana em um processo padronizado de correção ou eliminação da dor.
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