PREDITORES CLÍNICOS DE REMISSÃO SUSTENTADA VS. RECORRÊNCIA EM MULHERES COM DEPRESSÃO MAIOR DE INÍCIO NO PÓS-PARTO APÓS TRATAMENTO COM ZURANOLONA: UMA REVISÃO SISTEMÁTICA DE FATORES DE PROGNÓSTICO
DOI:
https://doi.org/10.51891/rease.v12i10.30704Palavras-chave:
Depressão pós-parto, Zuranolona, Prognóstico, Remissão, RecorrênciaResumo
A depressão pós-parto (DPP) constitui uma das complicações psiquiátricas mais frequentes do período perinatal e está associada a importantes repercussões para a saúde materna, o desenvolvimento infantil e a dinâmica familiar. A aprovação da zuranolona como o primeiro tratamento oral de curta duração para essa condição representa um avanço terapêutico significativo; entretanto, permanecem incertezas quanto aos fatores clínicos capazes de predizer a manutenção da resposta após o término do tratamento. Objetivou-se identificar e sintetizar as evidências disponíveis acerca dos fatores prognósticos associados à remissão sustentada e ao risco de recorrência em mulheres com depressão pós-parto tratadas com zuranolona. Foi realizada uma revisão sistemática conduzida conforme as recomendações do PRISMA, utilizando a estratégia PECO para a definição da questão de pesquisa. A busca bibliográfica foi realizada nas bases MEDLINE/PubMed, EMBASE, LILACS e Cochrane CENTRAL, complementada por literatura cinzenta, incluindo ensaios clínicos randomizados de fase III, estudos de extensão longitudinal e estudos observacionais elegíveis. Os dados foram sintetizados por meio de análise qualitativa, com foco na identificação dos principais fatores prognósticos relacionados à resposta terapêutica. As evidências demonstraram que a remissão clínica alcançada ao final do ciclo de 14 dias constitui o principal indicador de manutenção da resposta até o dia 45. Entre os fatores associados à remissão sustentada destacaram-se a presença de sintomas concomitantes de ansiedade e insônia responsivos ao tratamento e a utilização da dose de 50 mg. Em contrapartida, maior gravidade basal da depressão, histórico de episódios depressivos recorrentes e necessidade de retratamentos mostraram-se associados a maior probabilidade de recorrência clínica. Conclui-se que a zuranolona promove resposta antidepressiva rápida e clinicamente relevante na depressão pós-parto; entretanto, a durabilidade desse benefício varia conforme o perfil clínico das pacientes. A identificação de fatores prognósticos pode contribuir para o acompanhamento individualizado, otimização das estratégias terapêuticas e implementação de abordagens de medicina de precisão no manejo da depressão pós-parto.
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