ÓXIDO NITROSO COMO ESTRATÉGIA TERAPÊUTICA EM PSIQUIATRIA: EVIDÊNCIAS EM DEPRESSÃO RESISTENTE E IMPLICAÇÕES NEUROBIOLÓGICAS
DOI:
https://doi.org/10.51891/rease.v12i5.26312Palavras-chave:
Óxido nitroso. Depressão resistente. Psiquiatria. Receptores NMDA. Neuroplasticidade.Resumo
O óxido nitroso (N₂O) é um agente com longa trajetória na medicina e cujo interesse em psiquiatria foi recentemente renovado a partir dos avanços na compreensão da fisiopatologia da depressão, em especial do papel do sistema glutamatérgico e dos receptores NMDA. A depressão resistente ao tratamento constitui um importante desafio clínico, motivando a investigação de estratégias terapêuticas de ação rápida, contexto no qual o N₂O emerge como alternativa promissora. O objetivo desta revisão foi sintetizar criticamente as evidências clínicas e experimentais sobre o uso do óxido nitroso em psiquiatria, com ênfase na depressão resistente e em suas implicações neurobiológicas. Foi realizada uma revisão de literatura com busca sistemática em bases de dados internacionais entre 2000 e 2025, utilizando descritores relacionados ao óxido nitroso, psiquiatria, depressão resistente e mecanismos neurobiológicos, incluindo estudos clínicos, experimentais e revisões relevantes. Os achados indicam que o N₂O, administrado em doses subanestésicas, apresenta efeito antidepressivo rápido em pacientes com depressão resistente, com perfil de segurança globalmente favorável, embora com variabilidade na magnitude e duração da resposta. Os mecanismos envolvidos parecem ser multifatoriais, abrangendo modulação dos receptores NMDA e AMPA, aumento de fatores neurotróficos, alterações de conectividade cerebral e interações com múltiplos sistemas neurotransmissores, sugerindo efeitos mediados por processos de neuroplasticidade. Conclui-se que o óxido nitroso representa uma estratégia terapêutica promissora, porém ainda experimental, cujo papel definitivo na prática psiquiátrica depende de estudos futuros mais robustos e padronizados.
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