QUANDO INSISTIR DEIXA DE SER POLÍTICA
DOI:
https://doi.org/10.51891/rease.v12i7.28743Palavras-chave:
Política Educacional. Gestão Educacional. Inclusão Escolar. Progressão Continuada. Avaliação Educacional. Família e Escola. Performatividade. Gestão Democrática.Resumo
Este artigo analisa criticamente quatro políticas e crenças amplamente legitimadas no debate educacional brasileiro — a inclusão escolar, a progressão continuada, a centralidade da avaliação e a presença da família na escola — interpretando-as, em suas formas historicamente esvaziadas de implementação, como “cavalos mortos” da gestão educacional contemporânea. Tomando a teoria do cavalo morto como operador crítico-analítico, o texto sustenta que determinadas respostas persistem menos por sua eficácia pedagógica do que por sua funcionalidade político-administrativa e simbólica em contextos marcados por performatividade, responsabilização e gestão de resultados. Em diálogo com Ball (2014), Freitas (2014), Libâneo (2015), Saviani (2011), Paro (2011), Mantoan (2004), Glat e Pletsch (2011), Hoffmann (2014), Esteban (2003), Sousa e Oliveira (2010), argumenta-se que o problema não reside nos princípios normativos em si — inclusão, democratização, avaliação, participação e direito à aprendizagem —, mas em suas traduções burocratizadas, formalistas ou performativas. Nessas condições, a inclusão tende a ser reduzida à matrícula e ao protocolo; a progressão continuada, à administração estatística do fluxo; a avaliação, à captura da qualidade por indicadores ou por rotinas classificatórias; e a relação família-escola, à moralização da crise educacional. A hipótese central é a de que parte expressiva dos impasses da educação básica brasileira decorre menos da ausência de propostas do que da permanência de modelos cuja forma atual de operacionalização já se encontra desgastada, embora continue protegida por sua rentabilidade política, burocrática e discursiva.
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