O DESEJO DE APRENDER E O DESEJO DE ENSINAR: APROXIMAÇÕES ENTRE PSICANÁLISE E EDUCAÇÃO
DOI:
https://doi.org/10.51891/rease.v12i7.29208Palabras clave:
Psicanálise e Educação. Desejo de aprender. Desejo de ensinar. Relação professor-aluno. Transferência.Resumen
O presente artigo analisa as aproximações entre Psicanálise e Educação a partir das categorias desejo de aprender e desejo de ensinar, buscando compreender de que maneira essas dimensões contribuem para a constituição da relação educativa. Justifica-se pela relevância de ampliar a compreensão dos processos de ensino e aprendizagem para além de abordagens estritamente cognitivas e metodológicas, considerando a dimensão subjetiva e inconsciente que atravessa o ato educativo (Voltolini, 2011; Villela, 2015). O objetivo consiste em analisar as contribuições da Psicanálise para a compreensão do desejo como elemento estruturante da aprendizagem, da docência e da relação professor-aluno. Trata-se de uma pesquisa bibliográfica, de abordagem qualitativa, desenvolvida pelo método dedutivo e com objetivos exploratórios (Perovano, 2016). A fundamentação teórica apoia-se nas contribuições de Lacan (1964/2001), Voltolini (2011), Alves e Sommerhalder (2010), Gagliotto et al. (2013), De Sousa e Dias (2014), Lemos (2007), Silva (2003), Assis e Oliveira (2003) e Arrivabene e De Souza Junior (2025), entre outros autores que discutem a interface entre Psicanálise e Educação. A análise do referencial evidenciou que o desejo de aprender e o desejo de ensinar constituem processos relacionais produzidos na interação entre educador, educando e conhecimento, sendo atravessados pela transferência, pelos processos identificatórios e pelas experiências de reconhecimento. Verificou-se, ainda, que a posição ética assumida pelo professor diante do saber favorece a constituição do estudante como sujeito desejante, ampliando as possibilidades de aprendizagem significativa (Lacan, 1964/2001; Arrivabene; De Souza Junior, 2025). Conclui-se que a Psicanálise oferece importantes contribuições para a compreensão da prática educativa ao demonstrar que ensinar e aprender ultrapassam a transmissão de conteúdos, configurando-se como experiências de constituição subjetiva, nas quais o desejo ocupa lugar central na formação humana (Voltolini, 2011).
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