A RESPOSTA QUE NÃO SE DEFENDE: THEUTH, THAMOUS E A INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL GENERATIVA
DOI:
https://doi.org/10.51891/rease.v12i9.30553Palavras-chave:
Fedro. Inteligência Artificial Generativa. Aprendizagem.Resumo
Este artigo examina em que medida a crítica à escrita apresentada no Fedro, de Platão, permite interrogar a inteligência artificial generativa e suas implicações para a aprendizagem. Desenvolve-se uma pesquisa bibliográfica, de abordagem hermenêutico-crítica, centrada nas passagens 274c–276e da edição bilíngue traduzida por José Cavalcante de Souza. A análise distingue o juízo de Thamous sobre memória e aparência de sabedoria das considerações posteriores de Sócrates acerca do discurso escrito. Nestas, identifica três limitações: a invariância diante da interrogação, a circulação sem discernimento do destinatário e a impossibilidade de defesa autônoma. O confronto com a literatura sobre sistemas generativos mostra que a produção de réplicas variáveis modifica a primeira limitação, enquanto a adequação pedagógica e a justificação permanecem exigências que não se resolvem pela fluência da resposta. Sustenta-se que corrigir, discordar ou reformular um enunciado não demonstra, isoladamente, conhecimento nem dispensa a responsabilidade humana. Conclui-se que o problema educacional se desloca da capacidade de a máquina responder para as condições em que o aluno compreende, examina e sustenta aquilo que apresenta como saber.
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