FERIDAS INVISÍVEIS: COMO A DISCRIMINAÇÃO AFETA A SAÚDE MENTAL DA POPULAÇÃO LGBTQIA+

Autores

  • Francisco José Pascoal Ribeiro Júnior UNIRIO
  • Hérika Juliana de Araújo Lucena USP-SP

DOI:

https://doi.org/10.51891/rease.v12i7.27469

Palavras-chave:

Discriminação Percebida. Minorias Sexuais e de Gênero. Saúde Mental.

Resumo

Introdução: A população LGBTQIA+ enfrenta discriminação estrutural e violências interpessoais em sociedades marcadas pela cisheteronormatividade, com impactos profundos na saúde mental. No Brasil, apesar de avanços normativos, persistem barreiras institucionais e culturais que perpetuam iniquidades no acesso a direitos básicos, como saúde e segurança. Objetivo: Analisar como a vivência de discriminação, em seus níveis individual, institucional e estrutural, afeta a saúde mental da população LGBTQIA+ no contexto brasileiro, identificando fatores contextuais que potencializam esses agravos. Metodologia: Revisão sistemática seguindo o protocolo PRISMA, com busca nas bases LILACS, MEDLINE, SciELO e Scopus. Dos 353 artigos identificados, 12 foram incluídos após triagem utilizando critérios baseados no mnemônico PCC (População: LGBTQIA+; Conceito: Discriminação; Contexto: Brasil). Resultados: A discriminação correlacionou-se com altas taxas de depressão (24,8%), ansiedade (66%), transtorno de estresse pós-traumático (39%) e ideação suicida, especialmente entre jovens e pessoas trans. Indivíduos negros LGBTQIA+ relataram discriminação 1,7 vezes maior que brancos. Violências institucionais, como desrespeito ao nome social em serviços de saúde e recusa de atendimento, associaram-se à evasão de cuidados médicos e deterioração psicológica. Durante a pandemia de COVID-19, 36% relataram episódios semanais de discriminação, intensificando isolamento e interrupção de tratamentos específicos. Discussão: A teoria do estresse minoritário explica o acúmulo de adversidades, como discriminação recorrente e exclusão familiar, que geram estresse crônico e internalização da LGBTfobia. A interseccionalidade (raça, classe, gênero) amplificou vulnerabilidades, com indivíduos negros e trans enfrentando opressões sobrepostas. Conclusão: A discriminação configura-se como determinante social crítico para a saúde mental LGBTQIA+, exigindo ações multiníveis: capacitação profissional em saúde, políticas públicas afirmativas e fortalecimento de redes comunitárias.

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Biografia do Autor

Francisco José Pascoal Ribeiro Júnior, UNIRIO

Psiquiatra, Mestre e Doutor, Professor da UNIRIO.

Hérika Juliana de Araújo Lucena, USP-SP

Psiquiatra, Mestre e Doutoranda pela USP-SP.

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Publicado

2026-07-03

Como Citar

Ribeiro Júnior, F. J. P., & Lucena, H. J. de A. (2026). FERIDAS INVISÍVEIS: COMO A DISCRIMINAÇÃO AFETA A SAÚDE MENTAL DA POPULAÇÃO LGBTQIA+. Revista Ibero-Americana De Humanidades, Ciências E Educação, 12(7), 1–20. https://doi.org/10.51891/rease.v12i7.27469