TERAPIAS-ALVO NA INSUFICIÊNCIA CARDÍACA: REVISÃO NARRATIVA DOS MECANISMOS MOLECULARES E DAS ESTRATÉGIAS TERAPÊUTICAS EMERGENTES
DOI:
https://doi.org/10.51891/rease.v12i5.26817Palavras-chave:
Insuficiência cardíaca. Terapias-alvo. Remodelamento cardíaco. Medicina cardiovascular de precisão.Resumo
A insuficiência cardíaca constitui uma síndrome cardiovascular de elevada morbimortalidade, caracterizada por fisiopatologia complexa e heterogênea, envolvendo ativação neuro-hormonal, remodelamento ventricular, inflamação sistêmica, alterações imunometabólicas e disfunção celular intracardíaca, fatores que contribuem para progressão clínica, hospitalizações recorrentes e elevada mortalidade cardiovascular. Diante da ampliação do conhecimento translacional em cardiologia e do desenvolvimento de terapias-alvo direcionadas a vias moleculares específicas, o presente estudo objetivou realizar uma revisão narrativa da literatura acerca das bases fisiopatológicas da insuficiência cardíaca e dos avanços contemporâneos relacionados às terapias-alvo emergentes, enfatizando seus mecanismos de ação, aplicabilidade clínica, limitações terapêuticas e perspectivas futuras no contexto da medicina cardiovascular de precisão. Trata-se de uma revisão narrativa, de natureza descritiva, analítica e interpretativa, realizada por meio das bases PubMed/MEDLINE, SciELO, BVS, Scopus e Google Acadêmico, incluindo artigos originais, revisões sistemáticas, metanálises, diretrizes clínicas, consensos científicos e ensaios clínicos publicados entre 2020 e 2025, além de estudos seminais de elevada relevância científica. Os resultados evidenciaram que a insuficiência cardíaca deve ser compreendida como síndrome molecularmente complexa, resultante da interação simultânea entre mecanismos neuro-hormonais, inflamatórios, metabólicos e estruturais, destacando-se o papel da inflamação sistêmica, da fibrose miocárdica, do imunometabolismo e da disfunção mitocondrial na progressão da doença. Observou-se ainda que o aprofundamento da compreensão dessas vias fisiopatológicas possibilitou importante expansão terapêutica, especialmente a partir da consolidação dos inibidores do cotransportador sódio-glicose tipo 2, do sacubitril/valsartana e de novos moduladores metabólicos e contráteis. Entretanto, persistem desafios relacionados à elevada heterogeneidade fenotípica da síndrome, particularmente na insuficiência cardíaca com fração de ejeção preservada, além da variabilidade de resposta terapêutica e das limitações para ampla incorporação clínica da medicina cardiovascular de precisão. Conclui-se que a integração entre conhecimento fisiopatológico, inovação translacional e estratificação molecular poderá contribuir significativamente para o desenvolvimento de estratégias terapêuticas mais individualizadas, biologicamente orientadas e potencialmente mais eficazes no manejo contemporâneo da insuficiência cardíaca.
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