REINSCRIÇÃO SEMIOSFÉRICA E ADAPTAÇÃO CULTURAL: ROMEU E JULIETA NO UNIVERSO INFANTIL DA TURMA DA MÔNICA
DOI:
https://doi.org/10.51891/rease.v12i4.25949Palavras-chave:
Reinscrição semiosférica. Adaptação cultural. Semiótica da cultura. Turma da Mônica. Romeu e Julieta.Resumo
A adaptação de Romeu e Julieta para o espetáculo televisivo infantil Mônica e Cebolinha no mundo de Romeu e Julieta evidencia que a tradução intersemiótica, em objetos culturais complexos, ultrapassa a simples passagem entre sistemas sígnicos. Além da mudança de linguagem, entram em jogo deslocamentos de mídia, de destinatário, de função cultural e de regime de recepção, o que exige uma ampliação conceitual do problema tradutório. À luz da semiótica da cultura, propõe-se compreender esse processo como reinscrição semiosférica, isto é, como operação de fronteira pela qual um texto, ao atravessar linguagens, mídias e comunidades interpretativas, reorganiza sua materialidade expressiva, sua legibilidade e seus efeitos de sentido. A análise toma como base o roteiro publicado por Silva em 1988, distinguindo-o da veiculação televisiva do espetáculo em 1979. O corpus mostra que a adaptação não produz uma paródia do texto shakespeariano, mas uma reescritura lúdica e uma apropriação cultural que preservam a memória estrutural da obra ao mesmo tempo que a reinscrevem no universo infantil da Turma da Mônica. Nesse processo, destacam-se a atenuação do trágico, a musicalização da fala, o uso mais marcado de rimas, a reconfiguração axiológica do desfecho e a espacialização da narrativa em Ouro Preto, entendida como mediação brasileira de Verona. Desse modo, a adaptação configura um caso exemplar de tradução intersemiótica como reinscrição semiosférica.
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