O PAPEL DO PROFISSIONAL DE ENFERMAGEM NO ATENDIMENTO E NAS PROVIDÊNCIAS ÀS VÍTIMAS DE VIOLÊNCIA EXTREMA E TENTATIVA DE FEMINICÍDIO
DOI:
https://doi.org/10.51891/rease.v12i7.28053Palabras clave:
Feminicídio. Violência contra a Mulher. Cuidados de Enfermagem. Notificação Compulsória. Acolhimento.Resumen
O artigo discute a violência contra a mulher como um fenômeno estrutural e grave violação dos direitos humanos, que em sua forma mais extrema culmina no feminicídio. O problema central identificado é a lacuna entre o cuidado clínico prestado às vítimas nos serviços de saúde e a adoção de providências efetivas de proteção, uma vez que muitas mulheres chegam às unidades de urgência e emergência com lesões físicas tratadas de forma isolada. Nesse contexto, o estudo tem como objetivo geral analisar, com base na literatura científica, o papel do enfermeiro no atendimento clínico e nas providências ético-legais frente às vítimas de violência de gênero em risco ou em situação de tentativa de feminicídio. Os objetivos específicos incluem: identificar protocolos de acolhimento e assistência imediata; descrever as providências ético-legais de responsabilidade do enfermeiro, com ênfase na notificação compulsória e no acionamento da rede intersetorial; e discutir os desafios enfrentados por esses profissionais na identificação do risco de feminicídio. A metodologia adotada foi uma revisão bibliográfica, de caráter descritivo e qualitativo, baseada em artigos publicados entre 2020 e 2025 nas bases SciELO, LILACS e BDENF. Os resultados evidenciam que o papel do enfermeiro vai além da assistência física, destacando-se o acolhimento qualificado e a escuta ativa como estratégias fundamentais para estabelecer vínculo de confiança e revelar a real causa das lesões. O estudo também aponta desafios significativos, como a sobrecarga de trabalho, o medo de retaliação por parte do agressor, o constrangimento em abordar detalhes da violência e a falta de capacitação contínua, que fragilizam a atuação dos profissionais. Conclui-se que investir em educação permanente e garantir respaldo institucional à equipe de enfermagem são medidas urgentes para fortalecer a prática assistencial, assegurar a efetividade das políticas públicas e contribuir para a erradicação do feminicídio no Brasil.
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