“MULHERES DE TARJA”: VIVÊNCIAS DE MULHERES COM O USO DE PSICOTRÓPICOS EM UM GRUPO DE GESTÃO AUTÔNOMA DE MEDICAÇÃO

Autores/as

  • Antônio Henrique Braga da Costa UFC https://orcid.org/0000-0002-5334-5518
  • Ana Karenina Arraes Amorim Universidade Federal do Rio Grande do Norte
  • Zulmira Áurea Cruz Bomfim Universidade Federal do Ceará
  • Eliane Oliveira Pinheiro
  • Raquel Gomes Batista

DOI:

https://doi.org/10.51891/rease.v12i7.28241

Palabras clave:

Estratégia Saúde da Família. Saúde Mental. Medicalização. Vivências.

Resumen

A Reforma Psiquiátrica Brasileira propõe a construção de novas práticas e contextos de cuidado em saúde mental fundamentados na liberdade, em oposição à lógica medicalizante hegemônica. Essa lógica tem contribuído para a ampliação dos diagnósticos de transtornos mentais e para o uso crescente de psicofármacos, configurando o fenômeno da medicalização da vida. Nesse contexto, a Estratégia Saúde da Família (ESF) constitui um espaço privilegiado para o desenvolvimento de tecnologias de cuidado que favoreçam a desmedicalização, o empoderamento e a autonomia de pessoas em sofrimento psíquico. Este estudo objetivou investigar os limites e as potencialidades da Gestão Autônoma da Medicação (GAM) como estratégia de cuidado e de enfrentamento à medicalização no contexto da ESF em um município do interior do Rio Grande do Norte, bem como compreender as vivências das participantes em relação ao uso de psicotrópicos e os significados atribuídos a esses medicamentos em suas trajetórias de vida e cuidado. Trata-se de uma pesquisa qualitativa, desenvolvida por meio da pesquisa-ação. Os procedimentos metodológicos incluíram a realização de um grupo de intervenção GAM ao longo de oito meses, a observação participante e a construção de narrativas a partir das experiências vivenciadas no grupo. Como instrumentos de produção de dados, utilizaram-se diários de campo e gravações em áudio. Os resultados evidenciaram que a medicalização atravessa as práticas profissionais e se configura como uma das principais respostas às demandas apresentadas pelas mulheres atendidas na ESF, que frequentemente utilizam psicofármacos como forma de silenciamento dos sofrimentos e de seus determinantes sociais. As narrativas das participantes revelaram experiências marcadas pela naturalização do uso prolongado desses medicamentos, pela centralidade da prescrição médica nos itinerários terapêuticos e pela busca de alívio para sofrimentos produzidos em contextos de vulnerabilidade social e afetiva. Tais vivências evidenciam a complexidade da relação estabelecida com os psicotrópicos, os quais assumem simultaneamente funções de cuidado, controle e adaptação às adversidades cotidianas.

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Biografía del autor/a

Antônio Henrique Braga da Costa, UFC

Psicólogo, mestre em Saúde da Família pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), doutorando em Psicologia pela Universidade Federal do Ceará (UFC). 

Ana Karenina Arraes Amorim, Universidade Federal do Rio Grande do Norte

Doutora em Psicologia Social pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte. Professora do Departamento de Psicologia da Universidade Federal do Rio Grande do Norte. 

Zulmira Áurea Cruz Bomfim, Universidade Federal do Ceará

Universidade Federal do Ceará. 

Eliane Oliveira Pinheiro

Enfermeira, especialista em Saúde da Família.

Raquel Gomes Batista

Pedagoga, especialista em Saúde Pública.

Publicado

2026-07-03

Cómo citar

Costa, A. H. B. da, Amorim, A. K. A., Bomfim, Z. Áurea C., Pinheiro, E. O., & Batista, R. G. (2026). “MULHERES DE TARJA”: VIVÊNCIAS DE MULHERES COM O USO DE PSICOTRÓPICOS EM UM GRUPO DE GESTÃO AUTÔNOMA DE MEDICAÇÃO. Revista Ibero-Americana De Humanidades, Ciências E Educação, 12(7), 1–14. https://doi.org/10.51891/rease.v12i7.28241