O LUTO MATERNO PELO "FILHO IDEAL" DIANTE DO DIAGNÓSTICO DE AUTISMO: UMA COMPREENSÃO A PARTIR DA TERAPIA COGNITIVO-COMPORTAMENTAL
DOI:
https://doi.org/10.51891/rease.v12i10.31637Palavras-chave:
Transtorno do Espectro Autista, Luto pelo filho idealizado, Maternidade, Terapia Cognitivo-Comportamental, FamíliaResumo
O diagnóstico do Transtorno do Espectro Autista (TEA) pode produzir mudanças significativas na dinâmica familiar e demandar a reorganização de expectativas anteriormente construídas acerca do desenvolvimento e do futuro da criança. Nesse contexto, parte da literatura descreve experiências de perda e luto relacionadas à ruptura entre o filho idealizado e a realidade vivenciada após o diagnóstico. Este estudo objetivou compreender, com base na literatura científica, de que forma a Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) pode contribuir para a compreensão e o manejo dos aspectos cognitivos, emocionais e comportamentais relacionados ao luto pelo filho idealizado vivenciado por mães de crianças com TEA. Trata-se de pesquisa bibliográfica, qualitativa, exploratória e descritivo-analítica, fundamentada em estudos sobre TEA e família, maternidade, luto, perda ambígua, sofrimento psicológico, adaptação parental e intervenções psicológicas. Os achados demonstraram convergência quanto à presença de repercussões emocionais relevantes em parte das mães e cuidadores, incluindo tristeza, ansiedade, culpa, estresse e sobrecarga, embora a intensidade e a interpretação dessas experiências apresentem variações individuais e socioculturais. Paralelamente, foram identificados processos de aceitação, resiliência, reorganização de expectativas e construção de novos significados. Estudos de intervenção indicaram benefícios da TCC para sintomas de ansiedade, depressão, estresse e sofrimento psicológico parental; entretanto, as evidências disponíveis ainda são insuficientes para afirmar a eficácia específica da abordagem sobre o luto materno pelo filho idealizado. Conclui-se que a TCC oferece fundamentos relevantes para compreender a relação entre interpretações, emoções e comportamentos associados à experiência materna e pode subsidiar intervenções individualizadas, desde que o luto não seja pressuposto como consequência universal do diagnóstico e sejam considerados fatores familiares, sociais e culturais.
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