ENTRE MOVIMENTO E CULTURA: NOTAS SOBRE A CORPOREIDADE NA EDUCAÇÃO ESCOLAR QUILOMBOLA EM JEQUIÉ-BA
DOI:
https://doi.org/10.51891/rease.v12i7.29060Palavras-chave:
Corporeidade. Educação Quilombola. Cultura.Resumo
Este artigo, decorrente de uma dissertação de mestrado, buscou analisar a corporeidade como linguagem cultural no cotidiano de uma escola quilombola, com o objetivo de compreender como os movimentos corporais são vivenciados por estudantes do Ensino Fundamental e de que modo tais experiências potencializam suas referências culturais. A pesquisa, de abordagem qualitativa, orientou-se pelo método etnográfico, articulando a triangulação Corpo–Cultura–Educação. A produção de dados foi realizada em uma instituição quilombola, localizada em Jequié-BA, mediante o acompanhamento de uma turma do Ensino Fundamental II e das experiências vivenciadas pelos estudantes participantes das práticas educativas desenvolvidas no contraturno escolar. Os resultados evidenciaram que o corpo ocupa uma posição tensionada na dinâmica educativa, ora submetido a regulações e restrições no âmbito da organização escolar, ora reconhecido como dimensão expressiva e cultural, especialmente em práticas como a capoeira, que fortalecem os vínculos identitários e saberes quilombolas. Contudo, persistem limites institucionais e pedagógicos que restringem a ampliação dessas experiências. Conclui-se que o reconhecimento do corpo como dimensão cultural amplia a compreensão dos processos formativos na Educação Quilombola, tensiona racionalidades centradas na disciplinarização dos corpos e contribui para o fortalecimento de perspectivas pedagógicas comprometidas com os saberes, o pertencimento e as práticas culturais quilombolas.
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