QUANDO O SOFRIMENTO SE TORNA MÉTODO: ASSÉDIO MORAL E NATURALIZAÇÃO DA VIOLÊNCIA EM INSTITUIÇÕES HIERARQUIZADAS
DOI:
https://doi.org/10.51891/rease.v12i11.27651Palavras-chave:
Assédio moral, Sofrimento psíquico, Violência institucional, Saúde mental, organizações hierarquizadas, Direitos fundamentaisResumo
O presente estudo analisa os mecanismos pelos quais instituições hierarquizadas transformam práticas de sofrimento, humilhação e violência simbólica em instrumentos legítimos de gestão, formação e manutenção da ordem organizacional. Trata-se de uma pesquisa qualitativa de natureza teórico-analítica, desenvolvida por meio de uma meta-síntese qualitativa crítica e interdisciplinar. O corpus analítico foi constituído por três estudos previamente desenvolvidos sobre silenciamento institucional do sofrimento psíquico, assédio moral como violação da dignidade humana e dos neurodireitos, e processos de virilização e banalização da violência em organizações militarizadas. A análise foi conduzida a partir do diálogo entre a Psicodinâmica do Trabalho, a Psicologia Social Crítica, a Sociologia das Organizações, a Saúde Coletiva e a Teoria dos Direitos Fundamentais. Os resultados evidenciam que a reprodução do sofrimento em organizações hierarquizadas ocorre por meio da articulação entre quatro mecanismos centrais: naturalização da violência, virilização do sofrimento, silenciamento institucional e legitimação organizacional de práticas potencialmente abusivas. A partir da integração desses elementos, propõe-se a categoria analítica denominada Institucionalização do Sofrimento como Método Organizacional, compreendida como o processo pelo qual experiências de sofrimento, pressão psicológica, humilhação e violência simbólica são incorporadas às dinâmicas organizacionais como instrumentos de disciplina, socialização, pertencimento e manutenção da autoridade. Conclui-se que o sofrimento, em determinados contextos institucionais, deixa de ser apenas consequência das relações organizacionais e passa a desempenhar função estratégica para a reprodução das estruturas de poder. A categoria proposta amplia a compreensão das relações entre saúde mental, violência institucional, direitos fundamentais e gestão organizacional, contribuindo para os campos do Direito, da Psicologia, da Segurança Pública e da Saúde Coletiva.
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