VIOLÊNCIA OBSTÉTRICA NA PERSPECTIVA DE GESTANTES: VIVÊNCIAS E PERCEPÇÕES EM UMA MATERNIDADE PÚBLICA DE MANAUS
DOI:
https://doi.org/10.51891/rease.v12i9.29723Palavras-chave:
Violência Obstétrica. Saúde Materno-Infantil. Educação em Saúde.Resumo
A violência obstétrica constitui uma grave violação dos direitos humanos das mulheres, manifestando-se por meio de abusos físicos, psicológicos e institucionais durante o ciclo gravídico-puerperal, muitas vezes naturalizados pelos próprios serviços de saúde. Este estudo visou compreender a percepção de gestantes sobre a violência obstétrica em uma maternidade pública de Manaus. Trata-se de um estudo descritivo e exploratório, de abordagem qualitativa, realizado com onze gestantes internadas nos setores de Pré-Parto, Parto e Pós-Parto e no Alojamento Conjunto, de uma maternidade pública de Manaus. Os dados foram coletados por meio de entrevista semiestruturada e analisados segundo a técnica de Análise de Conteúdo Categorial Temática de Bardin. A partir dos achados da pesquisa, emergiram quatro categorias temáticas: desconhecimento sobre violência obstétrica, boas práticas no parto e no nascimento, experiências de violência obstétrica e a importância do protagonismo da mulher. As participantes relataram vivências de manobra de Kristeller, amniotomia e episiotomia sem consentimento, toques vaginais repetidos e maus-tratos verbais, muitas vezes sem reconhecer tais práticas como violência. Por fim, a violência obstétrica permanece naturalizada na assistência ao parto, e o desconhecimento conceitual dificulta seu reconhecimento por parte das próprias gestantes. Reforça-se a necessidade de educação em saúde, de capacitação profissional e de fortalecimento do protagonismo feminino como estratégias de prevenção.
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