O SUICÍDIO NA SOCIEDADE ATUAL: UMA REVISÃO CONTEMPORÂNEA DA TEORIA DE ÉMILE DURKHEIM
DOI:
https://doi.org/10.51891/rease.v12i4.25809Palavras-chave:
Suicídio. Durkheim. Sociologia. Anomia. Prevenção Social.Resumo
O suicídio constitui um fenômeno complexo e uma urgência para a saúde pública e as ciências sociais, exigindo uma abordagem analítica que ultrapasse a mera dimensão individual. Esta pesquisa teve como objetivo realizar uma revisão bibliográfica contemporânea
da teoria clássica de Émile Durkheim, confrontando-a com as dinâmicas sociais atuais e a produção acadêmica brasileira recente, a fim de contribuir para o avanço dos estudos sociológicos sobre o tema e subsidiar políticas públicas de prevenção. A metodologia empregada foi a de uma revisão bibliográfica com enfoque sociológico, utilizando as bases de dados SciELO e Google Acadêmico. A coleta de dados priorizou artigos publicados entre 1990 e 2025, utilizando combinações das palavras-chave: suicídio, Durkheim, anomia e integração social. Os achados da revisão reafirmam a validade perene da proposição durkheimiana do suicídio como um fato social, determinado pelas taxas de integração (laços sociais) e regulação (normas) da sociedade. Essa análise clássica resulta nos quatro tipos de suicídio: egoísta (baixa integração), altruísta (alta integração), anômico (baixa regulação) e fatalista (alta regulação). Contudo, no cenário contemporâneo, a teoria é expandida para incluir uma crise de sentido e falha na narrativa cultural. O fenômeno não é visto apenas como uma falha na coesão social, mas como uma manifestação de anomia e vazio existencial, exacerbados pela pressão da sociedade neoliberal e pela hiperconexão digital, que resultam em sentimentos de angústia e tédio profundo.O estudo identifica a intensificação da vulnerabilidade em grupos específicos: estudantes universitários, sob forte pressão acadêmica e existencial; homens, cuja saúde mental é impactada pela falência em corresponder ao modelo rígido de masculinidade provedora e invulnerável; e a população idosa, que registra tendências preocupantes de mortalidade por causas externas. Adicionalmente, a pesquisa sugere a complementaridade entre as análises sociológicas de Durkheim e Marx na delimitação do campo de estudo. Em conclusão, reitera-se que o suicídio é prevenível. O cuidado efetivo exige a superação do tabu social e a adoção de um modelo de atenção integral que transcenda o foco exclusivo na doença mental. É imperativo que as políticas de prevenção considerem ativamente as raízes sociais e existenciais do sofrimento, promovendo um acolhimento que reflita a complexidade do indivíduo em sua totalidade social.
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