ATIVAÇÃO IMUNOLÓGICA MATERNA E O RISCO DE TRANSTORNO DO ESPECTRO AUTISTA NA PROLE: UMA REVISÃO SISTEMÁTICA DA LITERATURA
DOI:
https://doi.org/10.51891/rease.v12i9.29907Palavras-chave:
Transtorno do Espectro Autista. Doenças Autoimunes. Atopia. Ativação Imunológica Materna. Gravidez.Resumo
O Transtorno do Espectro Autista (TEA) possui uma etiologia complexa e multifatorial, na qual a hipótese da desregulação imunológica tem ganhado destaque como um pilar explicativo para o neurodesenvolvimento aberrante. Objetivo: Este estudo revisou sistematicamente as evidências científicas sobre a associação entre as condições imunológicas maternas (doenças autoimunes e condições atópicas) e o risco de desenvolvimento de TEA na prole. Métodos: Conduziu-se uma revisão sistemática baseada no protocolo PRISMA e estruturada pelo acrônimo PECO, abrangendo buscas nas bases MEDLINE, Embase, LILACS e Web of Science. Foram incluídos estudos observacionais comparativos (coorte e caso-controle), com avaliação de qualidade metodológica pela Escala de Newcastle-Ottawa e graduação da evidência pelo sistema GRADE. Resultados: Foram selecionados 33 estudos elegíveis, publicados entre 2004 e 2023. Os dados demonstraram uma associação positiva e consistente entre doenças autoimunes maternas e o aumento do risco de TEA, com correlações mais robustas para a Artrite Reumatoide e a Síndrome de Sjögren. As condições atópicas, como asma e alergias, apresentaram-se como fatores de risco críticos quando manifestadas ou tratadas especificamente durante o primeiro e o segundo trimestres de gestação. Observou-se uma vulnerabilidade diferencial de gênero, com risco marcadamente superior para a prole do sexo masculino. Os mecanismos biológicos propostos envolvem a transferência transplacentária de citocinas pró-inflamatórias e autoanticorpos IgG reativos ao cérebro fetal, culminando em ativação microglial prematura e danos à sinaptogênese. Conclusão: A ativação imunológica materna constitui um determinante relevante na patogênese do TEA. O manejo clínico rigoroso de condições inflamatórias e alérgicas durante a gravidez e a integração do histórico imunológico na vigilância pré-natal são estratégias fundamentais para a prevenção primária e o monitoramento do desenvolvimento infantil.
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