VIOLÊNCIA OBSTÉTRICA EM UMA ANÁLISE INTERSECCIONAL A PARTIR DAS EXPERIÊNCIAS DE MULHERES NEGRAS NO PRÉ-NATAL
DOI:
https://doi.org/10.51891/rease.v3i01.28329Palavras-chave:
Cuidado Pré-Natal. Violência Obstétrica. Racismo.Resumo
Introdução: A vivência do período gravídico-puerperal por mulheres negras é atravessada por desigualdades estruturais que favorecem a violência obstétrica e limitam o acesso a um cuidado digno, humanizado e informado. Objetivo: Analisar as orientações fornecidas durante as consultas de pré-natal e sua relação com o conhecimento de mulheres negras sobre violência obstétrica e seus direitos, como forma de prevenir possíveis situações de violência. Metodologia: Trata-se de um estudo descritivo, exploratório, de abordagem mista (QUANT+QUAL), realizado com 25 mulheres negras no período gravídico-puerperal ou que tiveram gestação nos últimos cinco anos. A coleta de dados ocorreu por meio de questionário estruturado, aplicado presencialmente na Clínica da Família Eraldo Sardinha e disponibilizado pelo Google Forms. Os dados foram analisados por estatística descritiva e análise qualitativa, respeitando os preceitos éticos e a assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido. Análise e discussão dos resultados: Embora 20 participantes afirmassem conhecer o conceito de violência obstétrica, apenas 10 relataram ter recebido orientações sobre o tema e somente 2 receberam essas informações durante o pré-natal. Observou-se que 15 mulheres não saberiam como agir diante de uma situação de violência obstétrica e 13 desconheciam seus direitos durante o período gravídico-puerperal. Em relação ao racismo obstétrico, 15 entrevistadas desconheciam o termo e, após esclarecimento, parte delas reconheceu experiências compatíveis com essa forma de violência. Os relatos evidenciaram situações de negligência, abandono, violência institucional, falta de humanização e sofrimento emocional. Conclusão: Conclui-se que as orientações recebidas durante o pré-natal se mostraram insuficientes para garantir o conhecimento das mulheres negras acerca da violência obstétrica, do racismo obstétrico e de seus direitos. Os achados reforçam a necessidade de fortalecer ações educativas, práticas assistenciais humanizadas e estratégias de enfrentamento ao racismo institucional na assistência obstétrica.
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