VIOLÊNCIA OBSTÉTRICA EM UMA ANÁLISE INTERSECCIONAL A PARTIR DAS EXPERIÊNCIAS DE MULHERES NEGRAS NO PRÉ-NATAL

Autores

  • Alexsandra Tavares de Oliveira UNIG
  • Michelly Cristina do Espiríto Santo UNIG
  • Vitória Torquato Silva Miranda Simplicio UNIG
  • Enimar de Paula UNIG
  • Wanderson Alves Ribeiro UNIG

DOI:

https://doi.org/10.51891/rease.v3i01.28329

Palavras-chave:

Cuidado Pré-Natal. Violência Obstétrica. Racismo.

Resumo

Introdução: A vivência do período gravídico-puerperal por mulheres negras é atravessada por desigualdades estruturais que favorecem a violência obstétrica e limitam o acesso a um cuidado digno, humanizado e informado. Objetivo: Analisar as orientações fornecidas durante as consultas de pré-natal e sua relação com o conhecimento de mulheres negras sobre violência obstétrica e seus direitos, como forma de prevenir possíveis situações de violência. Metodologia: Trata-se de um estudo descritivo, exploratório, de abordagem mista (QUANT+QUAL), realizado com 25 mulheres negras no período gravídico-puerperal ou que tiveram gestação nos últimos cinco anos. A coleta de dados ocorreu por meio de questionário estruturado, aplicado presencialmente na Clínica da Família Eraldo Sardinha e disponibilizado pelo Google Forms. Os dados foram analisados por estatística descritiva e análise qualitativa, respeitando os preceitos éticos e a assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido. Análise e discussão dos resultados: Embora 20 participantes afirmassem conhecer o conceito de violência obstétrica, apenas 10 relataram ter recebido orientações sobre o tema e somente 2 receberam essas informações durante o pré-natal. Observou-se que 15 mulheres não saberiam como agir diante de uma situação de violência obstétrica e 13 desconheciam seus direitos durante o período gravídico-puerperal. Em relação ao racismo obstétrico, 15 entrevistadas desconheciam o termo e, após esclarecimento, parte delas reconheceu experiências compatíveis com essa forma de violência. Os relatos evidenciaram situações de negligência, abandono, violência institucional, falta de humanização e sofrimento emocional. Conclusão: Conclui-se que as orientações recebidas durante o pré-natal se mostraram insuficientes para garantir o conhecimento das mulheres negras acerca da violência obstétrica, do racismo obstétrico e de seus direitos. Os achados reforçam a necessidade de fortalecer ações educativas, práticas assistenciais humanizadas e estratégias de enfrentamento ao racismo institucional na assistência obstétrica.

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Biografia do Autor

Alexsandra Tavares de Oliveira, UNIG

Enfermeira. Pós-graduanda em Enfermagem em Obstetrícia pela Universidade Iguaçu. 

Michelly Cristina do Espiríto Santo, UNIG

Enfermeira. Pós-graduanda em Enfermagem em Obstetrícia pela Universidade Iguaçu. 

Vitória Torquato Silva Miranda Simplicio, UNIG

Enfermeira. Pós-graduanda em Enfermagem em Obstetrícia pela Universidade Iguaçu. Residente em Enfermagem Neonatal pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro. 

Enimar de Paula, UNIG

Enfermeiro. Mestre em Saúde Materno-Infantil Faculdade de Medicina - Universidade Federal Fluminense – UFF. Docente do curso de Graduação em Enfermagem da UNIG. Coordenador do Curso de Pós-Graduação em Enfermagem em Obstetrícia da Universidade Iguaçu. 

Wanderson Alves Ribeiro, UNIG

Enfermeiro. Mestre, Doutor e Pós-doutorando pelo Programa Acadêmico em Ciências do Cuidado em Saúde pela Escola de Enfermagem Aurora de Afonso Costa da UFF; Docente do Curso de Graduação em Enfermagem e Pós-graduação em Enfermagem em Obstetrícia. 

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Publicado

2026-07-21

Como Citar

Oliveira, A. T. de, Santo, M. C. do E., Simplicio, V. T. S. M., Paula, E. de, & Ribeiro, W. A. (2026). VIOLÊNCIA OBSTÉTRICA EM UMA ANÁLISE INTERSECCIONAL A PARTIR DAS EXPERIÊNCIAS DE MULHERES NEGRAS NO PRÉ-NATAL. Revista Ibero-Americana De Humanidades, Ciências E Educação, 3(01), 1–23. https://doi.org/10.51891/rease.v3i01.28329