ETNOFARMACOLOGIA E EDUCAÇÃO DECOLONIAL: INTEGRANDO OS SABERES TRADICIONAIS DA CAATINGA NOS CURRÍCULOS GLOBAIS DE SAÚDE
DOI:
https://doi.org/10.51891/rease.v12i5.26390Palavras-chave:
Etnofarmacologia. Caatinga. Educação decolonial. Protocolo de Nagoya. Currículos de saúde. Revisão integrativa.Resumo
A hegemonia do modelo biomédico ocidental nos currículos de saúde configura um ato sistemático de silenciamento epistêmico, cujas consequências recaem de forma desproporcional sobre populações que historicamente construíram suas práticas terapêuticas a partir de saberes territorialmente enraizados. Este artigo apresenta os resultados de uma revisão integrativa de literatura, conduzida entre outubro de 2025 e março de 2026, com o objetivo de mapear a produção científica sobre plantas medicinais da Caatinga, analisar os marcos regulatórios de acesso e repartição de benefícios no contexto do Protocolo de Nagoya e propor um Modelo de Educação de Transição Etnofarmacológica (META) para currículos globais de saúde. A partir de um corpus final de 36 estudos, organizados em três eixos analíticos, a revisão evidenciou: (i) a riqueza fitoquímica e farmacológica das espécies da Caatinga, comprovada em estudos laboratoriais e etnobotânicos, permanece estruturalmente ausente das grades curriculares; (ii) o Protocolo de Nagoya, embora necessário, produz efeitos paradoxais ao onerar desproporcionalmente pesquisadores do Sul Global; (iii) a descolonização curricular em saúde é uma exigência epistemológica urgente, ainda insuficientemente operacionalizada. O META, proposto como contribuição original deste artigo, articula cinco dimensões: reconhecimento, integração, regulação, prática clínica e advocacia epistêmica. Os resultados indicam que a integração dos saberes etnofarmacológicos da Caatinga nos currículos de saúde não constitui apenas um gesto de justiça cultural, mas uma estratégia concreta de inovação pedagógica com impacto direto na saúde coletiva.
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