CONHECIMENTO ETNOBOTÂNICO E A DESCOLONIZAÇÃO DO CUIDADO: EDUCAÇÃO POPULAR EM SAÚDE NA CAATINGA BRASILEIRA
DOI:
https://doi.org/10.51891/rease.v12i3.25248Keywords:
Diversidade Biocultural. Sistemas Comunitários de Saúde. Pluralismo Epistêmico. Soberania Sanitária. Saúde Intercultural.Abstract
O debate sobre saúde em territórios semiáridos tem sido historicamente marcado pela predominância do paradigma biomédico, que frequentemente negligencia as dimensões socioculturais e ecológicas dos sistemas tradicionais de conhecimento. Na Caatinga brasileira, comunidades rurais mantêm complexas farmacopéias etnobotânicas e práticas terapêuticas que interagem com as instituições formais de saúde de maneiras ainda pouco exploradas na literatura científica. O objetivo deste estudo foi sintetizar criticamente a literatura sobre a relação entre conhecimento etnobotânico e educação popular em saúde na Caatinga, analisando como esses processos contribuem para o debate sobre a descolonização do cuidado em sistemas comunitários de saúde. Metodologicamente, realizou-se uma revisão integrativa da literatura entre outubro de 2025 e fevereiro de 2026 em quatro bases de dados científicas. A busca inicial identificou 252 publicações, que passaram por procedimentos sistemáticos de triagem, resultando em um corpus final de 24 estudos que abordaram práticas etnobotânicas, transmissão comunitária do conhecimento e políticas de práticas integrativas em contextos semiáridos. Os resultados evidenciam a centralidade do conhecimento sobre plantas medicinais nas estratégias comunitárias de cuidado, revelando farmacopéias que incluem mais de 180 espécies medicinais e que são sustentadas por processos de aprendizagem intergeracional mediados por benzedeiras, raizeiros e parteiras. A análise também destaca o papel da educação popular em saúde como mecanismo de mediação epistemológica capaz de promover diálogo entre sistemas tradicionais de conhecimento e estruturas institucionais de saúde. Entretanto, a literatura aponta tensões persistentes no reconhecimento institucional dessas práticas, uma vez que critérios de validação biomédica frequentemente reconfiguram os saberes tradicionais dentro de estruturas epistemológicas hierárquicas. Conclui-se que o fortalecimento de políticas de saúde interculturais e o reconhecimento dos sistemas comunitários de conhecimento são passos essenciais para a construção de modelos de governança em saúde mais plurais e socialmente responsivos em territórios semiáridos.
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