AFETO COMO NOVO PATRIMÔNIO: IMPLICAÇÕES JURÍDICAS DA PATERNIDADE SOCIOAFETIVA

Autores

  • Ricardo Henrique Leite Lira UNIRG
  • Leonardo Guimarães Torres UNIRG

DOI:

https://doi.org/10.51891/rease.v12i4.25177

Palavras-chave:

Paternidade socioafetiva. Patrimonialização do afeto. Obrigação alimentar. Direito de Família brasileiro.

Resumo

O reconhecimento jurídico da paternidade socioafetiva constitui uma das mais relevantes transformações do Direito de Família contemporâneo, ampliando o conceito de filiação para além dos vínculos biológicos. Nesse contexto, a obrigação alimentar passou a ser estendida às relações fundadas na convivência e no afeto, permitindo que indivíduos que assumiram funções parentais sejam responsabilizados pelo pagamento de alimentos mesmo na ausência de parentesco consanguíneo. O presente estudo analisa o fenômeno da patrimonialização do afeto decorrente desse reconhecimento jurídico, investigando suas implicações jurídicas e seus efeitos sociais no ordenamento brasileiro. A pesquisa adota abordagem qualitativa, de natureza dogmático-jurídica, baseada na análise legislativa, doutrinária e jurisprudencial, especialmente a partir da interpretação do art. 1.593 do Código Civil, do Enunciado 103 do CJF/STJ e do Tema 622 do Supremo Tribunal Federal. A análise evidencia que, embora a extensão dos efeitos patrimoniais à filiação socioafetiva represente importante instrumento de proteção de crianças e adolescentes inseridos em famílias formadas pela convivência, também suscita desafios relevantes, como a patrimonialização das relações afetivas, a insegurança jurídica decorrente da ausência de critérios objetivos e a ampliação da judicialização das relações familiares. Conclui-se que a construção de parâmetros interpretativos mais claros — especialmente quanto à voluntariedade na assunção do vínculo parental, à proporcionalidade na definição das obrigações patrimoniais e à vedação ao enriquecimento sem causa — revela-se fundamental para equilibrar a proteção dos vínculos familiares genuínos com a preservação da espontaneidade das relações afetivas.

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Biografia do Autor

Ricardo Henrique Leite Lira, UNIRG

Formado em Tecnologia em Segurança Pública (Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Tocantins - IFTO) e Acadêmico de Direito (Universidade de Gurupi - UNIRG).

Leonardo Guimarães Torres, UNIRG

Especialista em direito Tributário e Direito Contratual (Universidade de Gurupi - UNIRG).

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Publicado

2026-04-01

Como Citar

Lira, R. H. L., & Torres, L. G. (2026). AFETO COMO NOVO PATRIMÔNIO: IMPLICAÇÕES JURÍDICAS DA PATERNIDADE SOCIOAFETIVA. Revista Ibero-Americana De Humanidades, Ciências E Educação, 12(4), 1–12. https://doi.org/10.51891/rease.v12i4.25177