O GÊNERO TEXTUAL CANÇÃO E A SEMIOLINGUÍSTICA DO DISCURSO: IMAGINÁRIOS DE RESISTÊNCIA E PASSIVIDADE EM "CAROLINA" (1967)
DOI:
https://doi.org/10.51891/rease.v12i3.25016Palavras-chave:
Gênero textual letra de canção. Chico Buarque. Semiolinguística. Ditadura Militar. Imaginários Sociais.Resumo
O período da ditadura militar brasileira (1964-1985) foi marcado por uma repressão sistemática que impôs desafios estéticos e políticos à produção artística nacional. Este artigo analisa a letra da canção "Carolina" (1967), de Chico Buarque de Holanda, com o objetivo de identificar como as estratégias linguístico-discursivas constroem imaginários de resistência e passividade. A fundamentação teórica ancora-se na Teoria Semiolinguística de Patrick Charaudeau, articulada às concepções de gêneros discursivos de Bakhtin e Marcuschi e à perspectiva semântico-estilística de Valente. Metodologicamente, realiza-se uma análise qualitativa pautada nas operações de discursivização (identificação, qualificação, ação e causação) e no dispositivo da encenação narrativa. Os resultados revelam que a personagem Carolina transcende o lirismo nostálgico para atuar como uma metáfora da inércia e omissão da sociedade brasileira frente ao regime autoritário, enquanto o narrador personifica o anseio pela redemocratização. Conclui-se que o texto utiliza o sentido implícito e o contrato de comunicação para burlar a censura, consolidando um imaginário sociodiscursivo de melancolia vinculado ao confinamento sociopolítico da época.
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