PROTESTOS PÓS-ELEITORAIS EM MOÇAMBIQUE (2023–2024): REPERTÓRIOS DE AÇÃO COLETIVA, CICLOS CONTENCIOSOS E DISPUTA DE LEGITIMIDADE
DOI:
https://doi.org/10.51891/rease.v12i4.24819Palavras-chave:
Ação Coletiva. Protestos Pós-Eleitorais. Ciclos Contenciosos. Legitimidade Institucional. Moçambique.Resumo
O artigo analisa os protestos pós-eleitorais em Moçambique (2023–2024), enfocando os repertórios de ação coletiva, ciclos contenciosos e disputas de legitimidade institucional. Ancorado na perspectiva da Contentious Politics (Tilly, 1995; Tarrow, 2011) e incorporando contribuições de Alonso (2017), o estudo busca interpretar a contestação política como processo relacional e historicamente situado, mediado pela interação entre desafiantes, autoridades e oportunidades políticas. Trata-se de uma pesquisa qualitativa que combina análise bibliográfica e documental, considerando fontes institucionais, relatórios de organizações de direitos humanos e registros digitais de mobilização e repressão. Os resultados indicam que a morte de rapper Azagaia, as eleições autárquicas de 2023 e as gerais de 2024 configuraram um ciclo contencioso cumulativo, caracterizado por mobilização juvenil, repertórios híbridos (manifestações de rua, performances simbólicas e ativismo digital) e escalada repressiva estatal. Conclui-se que a contestação transcendeu episódios isolados, evidenciando a crise de legitimidade do sistema político, a capacidade de coordenação da juventude e a transformação de frustrações sociais em ação coletiva estruturada, revelando novas formas de participação e disputa política no país.
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