PLANTAS MEDICINAIS, CAMPESINATO E AGRICULTURA FAMILIAR: ANÁLISE DOS SABERES TRADICIONAIS E SUA RELAÇÃO COM AS POLÍTICAS PÚBLICAS DO SUS
DOI:
https://doi.org/10.51891/rease.v12i3.24523Palavras-chave:
Plantas medicinais. Campesinato. Sistema Único de Saúde. Resistência. Políticas Públicas.Resumo
O uso de plantas medicinais no Brasil constitui uma prática histórica profundamente vinculada aos saberes tradicionais do campesinato e às estratégias de reprodução social das populações camponesas. No contexto da expansão do capitalismo no campo, o cultivo, a conservação e o uso dessas plantas configuram-se como formas de resistência camponesa, ao afirmar conhecimentos ancestrais, modos de vida próprios e relações singulares com a terra e a biodiversidade. Este artigo analisa o processo de institucionalização das plantas medicinais no âmbito das políticas públicas de saúde, com ênfase no Sistema Único de Saúde (SUS), discutindo suas interfaces com o campesinato, a agricultura familiar e o desenvolvimento rural sustentável. A pesquisa fundamenta-se em revisão bibliográfica de autores clássicos e contemporâneos, bem como na análise de marcos normativos, como a Lei nº 8.080/1990, a Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares e a Política Nacional de Plantas Medicinais e Fitoterápicos. Os resultados evidenciam que, apesar do reconhecimento institucional dos saberes tradicionais, a efetivação dessas políticas no meio rural permanece limitada por fragilidades na assistência técnica, na formação continuada dos profissionais de saúde e na participação social dos sujeitos camponeses. Conclui-se que o fortalecimento dessas dimensões é fundamental para consolidar o plantio e o uso de plantas medicinais como prática legítima de cuidado no SUS e como expressão concreta da resistência camponesa frente às dinâmicas hegemônicas de desenvolvimento.
Downloads
Downloads
Publicado
Como Citar
Edição
Seção
Categorias
Licença
Atribuição CC BY