DESAFIOS E PERSPECTIVAS PARA A JUVENTUDE DO CAMPO FRENTE À VIOLÊNCIA EM UMA ESCOLA DA AMAZÔNIA PARAENSE
DOI:
https://doi.org/10.51891/rease.v12i2.24068Palavras-chave:
Amazônia Paraense. Educação do Campo. Juventude. Violência Escolar.Resumo
O presente estudo analisa as múltiplas manifestações da violência no ambiente escolar a partir das vozes de estudantes de uma escola do campo localizada no município de Igarapé-Miri, no estado do Pará. A pesquisa inscreve-se numa abordagem qualitativa, de caráter descritivo e exploratório, envolvendo nove estudantes do último ano do Ensino Fundamental. Os dados empíricos foram produzidos por meio de entrevistas semiestruturadas, observação direta no espaço escolar e registros sistemáticos em diário de campo. O objetivo principal consiste em investigar as formas pelas quais os jovens do campo vivenciam, percebem e significam a violência no contexto da Educação do Campo, analisando seus fatores de origem, implicações no processo educativo e possibilidades de enfrentamento no âmbito escolar. Os resultados evidenciam que a violência se manifesta tanto em sua dimensão estrutural (expressa pela precariedade física da escola, ausência de transporte escolar regular, insuficiência de alimentação escolar e exclusão territorial) quanto em sua dimensão simbólica e relacional, marcada por práticas de bullying, assédio, punições desiguais e discursos de silenciamento. Observa-se que a escola, embora atravessada por dispositivos de controle e disciplinamento, constitui-se também como espaço de resistência, afeto e produção de subjetividades juvenis, onde os estudantes constroem estratégias de enfrentamento e ressignificação de suas experiências. Conclui-se que compreender a violência na escola do campo amazônica exige ultrapassar a leitura do ato isolado, reconhecendo-a como efeito de redes históricas de poder, desigualdade e exclusão que atravessam o território e a vida dos sujeitos.
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