APRISIONADOS DUPLAMENTE: POLÍTICAS PÚBLICAS, ANALFABETISMO, INTERSECCIONALIDADE E EXCLUSÃO EDUCACIONAL NAS PRISÕES BRASILEIRAS

Autores

DOI:

https://doi.org/10.51891/rease.v12i1.23900

Palavras-chave:

Analfabetismo prisional. Exclusão educacional. Interseccionalidade. Direitos humanos. políticas públicas.

Resumo

O estudo analisa o analfabetismo nas prisões brasileiras como mecanismo de exclusão, que constitui negativa de direitos. A partir da abordagem interseccional, que se baseia nas teorias de Kimberlé Crenshaw, Patricia Hill Collins, Sirma Bilge e Carla Akotirene, a pesquisa busca compreender como o analfabetismo nas prisões impacta nas pessoas com padrões estruturais de desigualdade, como: gênero, raça e classe. Os dados do SENAPPEN/SISDEPEN (2024) apontam que, embora alguns estados tenham superado o analfabetismo, como Amazonas e Maranhão, estados como Piauí (9,47%), Pará (9,90%), Paraíba (7,90%) e Pernambuco (6,99%) ainda apresentam altas taxas de analfabetismo entre os privados de liberdade. A metodologia envolve análise documental dos dados do SENAPPEN, revisão das normativas legais, como a Constituição Federal de 1988, a Lei n.º 7.210/1984 (Lei de Execução Penal), e a Lei n.º 9.394/1996 (Lei de Diretrizes e Bases da Educação), bem como a Resolução CNE nº 2/2010 e o Decreto n.º 7.626/2011, que regulamentam a educação no sistema prisional. O objetivo geral é evidenciar como o analfabetismo nas prisões contribui para a violação de direitos fundamentais, especialmente o direito à educação, sendo uma barreira para a conquista de outros direitos, em especial o do trabalho. Objetivos específicos incluem: 1) mapear as áreas mais afetadas pelo analfabetismo prisional e as desigualdades interseccionais; 2) indicar as implicações da exclusão educacional para a cidadania dos apenados; e 3) refletir sobre as políticas públicas educacionais. Conclui-se que o analfabetismo no sistema prisional é fator estrutural que impede a realização da cidadania e perpetua ciclos de desigualdade.

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Biografia do Autor

Marcia Leonora Dudeque, Universidade de São Paulo

Doutoranda em Educação pela Universidade de São Paulo – FE/USP. Mestre em Educação pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná. Especialista em Educação de Jovens e Adultos e em Educação Profissional Integrada à Educação de Jovens e Adultos.  Integrante do Grupo de Estudos e Pesquisas GEPÊPrivação – FE/USP . Autora de material didático aprovado pelo PNLDEJA, modalidade Educação de Jovens e Adultos. Técnica Pedagógica da Secretaria de Estado da Educação do Paraná.

Rubia Fernanda Quinelatto, Universidade de São Paulo

Pós-doutora em Educação pela Universidade de São Paulo – FE/USP. Doutora em Educação pela Universidade Federal de São Carlos - UFSCar. Servidora Federal na Universidade Federal de São Carlos - UFSCar. Integrante do Grupo de Estudos e Pesquisas GEPÊPrivação – FE/USP e do Grupo de Estudos e Pesquisas Educação e Justiça Social – EDUJUS – UFPA. Professora-Pesquisadora do temário de Educação, Política e Direitos. 

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Publicado

2026-01-30

Como Citar

Dudeque, M. L., & Quinelatto, R. F. (2026). APRISIONADOS DUPLAMENTE: POLÍTICAS PÚBLICAS, ANALFABETISMO, INTERSECCIONALIDADE E EXCLUSÃO EDUCACIONAL NAS PRISÕES BRASILEIRAS. Revista Ibero-Americana De Humanidades, Ciências E Educação, 12(1), 1–18. https://doi.org/10.51891/rease.v12i1.23900