GÊNERO, VIOLÊNCIA E PODER: NAS TEIAS DOS DISCURSOS SOCIOJURÍDICOS EM TORNO DA LEI DA ALIENAÇÃO PARENTAL

Autores/as

  • Milena Raiter Costa Veni Creator Christian University
  • José Welhinjton Cavalcante Rodrigues Veni Creator Christian University

Palabras clave:

Alienação parental. Violência de gênero. Direito das mulheres.

Resumen

Neste estudo, tem-se como objeto de estudo os discursos social e jurídico que envolvem a Lei da Alienação Parental e sua relação com questões de gênero. Parte-se da seguinte questão: pode a Lei da Alienação Parental estar contribuindo para a violência de gênero no contexto do Estado Democrático de Direito? Muito embora haja argumentos que defendem a imprescindibilidade dessa lei para a proteção daqueles que cuidam de crianças, percebe-se que ela pode estar sendo utilizada sobremaneira para desviar o foco da proteção da criança e/ou adolescente para se deter em questões meramente parentais envolvendo, portanto, disputas entre os pais. O objetivo geral é analisar esses discursos na construção dessa lei como incitadora ou não da violência de gênero. O estudo se justifica pela necessidade de compreender como os discursos jurídico e social em torno dessa lei reproduzem práticas punitivas e desiguais sob a retórica da proteção infantil. Metodologicamente, seguiu-se uma abordagem qualitativa e exploratória, com bases bibliográfica e documental, tendo como campo de análise a produção acadêmica, legislações nacionais e internacionais, a exemplo de Projetos de Lei em tramitação e manifestações de coletivos sociais. Adotou-se como técnica principal a análise de conteúdo de Laurence Bardin. Os resultados evidenciaram que, embora criada com a intenção de proteger crianças, a Lei da Alienação Parental tem sido usada para descredibilizar denúncias maternas de violência, reforçando estereótipos de gênero, legitimando práticas patriarcais e promovendo a revitimização de mulheres e crianças. Os discursos sociais e jurídicos analisados mostraram que a referida lei se ancora em fundamentos frágeis, vinculados, por exemplo, à tese desacreditada da Síndrome da Alienação Parental, proposta por Richard Gardner, na década de 1980, e desconsidera contextos de violência doméstica. Como conclusão, aponta-se para a ideia de que a Lei da Alienação Parental, ao invés de garantir proteção integral, opera como mecanismo de silenciamento e punição maternos, comprometendo o princípio do melhor interesse da criança.

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Biografía del autor/a

Milena Raiter Costa, Veni Creator Christian University

Graduada em Serviço Social pela Universidade Federal de Pernambuco (1991). Mestre em Ciências Jurídicas pela Veni Creator Christian University.

José Welhinjton Cavalcante Rodrigues, Veni Creator Christian University

Doutor em Ciências Jurídicas pela UFPB. Pós-doutor em Direitos Humanos, Cidadania e Políticas Públicas pela UFPB. Mestre em Direitos Humanos, Cidadania e Políticas Públicas pela UFPB. Professor convidado do Mestrado em Ciências Jurídicas da Veni Creator. 

Publicado

2026-03-02

Cómo citar

Costa, M. R., & Rodrigues, J. W. C. (2026). GÊNERO, VIOLÊNCIA E PODER: NAS TEIAS DOS DISCURSOS SOCIOJURÍDICOS EM TORNO DA LEI DA ALIENAÇÃO PARENTAL. Revista Ibero-Americana De Humanidades, Ciências E Educação, 10–301. Recuperado a partir de https://periodicorease.pro.br/rease/article/view/24211

Número

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