DEMANDAS SANITÁRIAS, PRÁTICAS TERAPÊUTICAS ANCESTRAIS E CONDICIONANTES DE ACESSO AO CUIDADO NA COMUNIDADE INDÍGENA CARIRI NO NORDESTE BRASILEIRO
DOI:
https://doi.org/10.51891/rease.v12i7.29018Palavras-chave:
Povos Cariri. Práticas Terapêuticas Tradicionais. Saúde Indígena.Resumo
A saúde indígena brasileira permanece marcada por desigualdades estruturais que comprometem o acesso à saúde, ao mesmo tempo em que coexistem práticas terapêuticas ancestrais para a produção do cuidado. Nesse contexto, o presente trabalho objetiva descrever uma visita técnica realizada à Comunidade Indígena Cariri de Poço-Dantas Umari, no município de Crato, Ceará, identificando suas principais demandas sanitárias, práticas terapêuticas ancestrais e condicionantes de acesso ao cuidado. Trata-se de um estudo descritivo, de abordagem qualitativa, do tipo relato de experiência. Os resultados evidenciaram importantes fragilidades na assistência à saúde, destacando-se a inexistência de Unidade Básica de Saúde Indígena, dificuldades de deslocamento aos serviços especializados, insuficiência de ações preventivas e carência de atendimento multiprofissional. Paralelamente, observou-se a permanência de um sistema de práticas terapêuticas tradicionais, conduzidas pela Pajé e por rezadeiras, cuja transmissão ocorre entre gerações e coexistem de forma complementar à medicina oficial. Constatou-se, ainda, que a comunidade não rejeita o atendimento médico, mas reivindica maior presença do Estado e serviços culturalmente sensíveis. Conclui-se que o fortalecimento da atenção à saúde indígena requer a ampliação do acesso aos serviços, a valorização dos saberes ancestrais e a construção de práticas capazes de promover cuidado integral, equidade e respeito às suas especificidades socioculturais.
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