POTENCIAL FORRAGEIRO DE GLIRICÍDIA (Gliricidia sepium (Jacq.) Steud.) SOB DIFERENTES INTERVALOS DE CORTE E SUA INCLUSÃO EM DIETAS PARA FRANGOS DE CORTE
Palabras clave:
Alimentação animal, Avicultura de Corte, Forragem alternativa, Farinha de gliricídiaResumen
Esta pesquisa foi realizada em dois ensaios complementares. No primeiro ensaio, objetivou-se avaliar a produtividade e a composição bromatológica da gliricídia em função de diferentes intervalos de corte, bem como caracterizar seu perfil de aminoácido. Inicialmente, O solo foi previamente preparado com grade niveladora para uniformizar o terreno, e amostras da camada de 0-20 cm de profundidade foram coletadas para análise química antes e após o ciclo da cultura. O cultivo da gliricídia foi estabelecido a partir de mudas produzidas em casa de vegetação, as quais, após sessenta dias sob irrigação regular e subsequente aclimatação à luz solar, foram transplantadas para o campo. O plantio foi realizado em regime adensado, com espaçamento de 1,0 m entre linhas e 0,5 m entre plantas, totalizando 20.000 plantas por hectare. Aos 150 dias após o plantio, efetuou-se um corte de homogeneização a 50 cm de altura do solo para padronização do estande, a partir do qual os cortes subsequentes, mantendo a mesma altura, foram realizados conforme os intervalos definidos para cada tratamento. A pesquisa foi conduzida em Delineamento Inteiramente Casualizado (DIC). Os tratamentos consistiram em quatro intervalos de corte (45, 60, 75 e 90 dias), com sete repetições cada, totalizando 28 unidades experimentais. A unidade experimental foi a parcela, composta por três linhas de cultivo com 135 plantas cada. Para as análises, os dados das três linhas foram resumidos pela média para representar o valor de cada parcela, garantindo a independência dos dados para a análise estatística. Os dados foram submetidos à análise de variância (ANOVA) e, quando detectadas diferenças significativas (p<0,05), as médias dos tratamentos foram comparadas pelo teste de Tukey. Também foi realizada análise de regressão polinomial para avaliar o comportamento das variáveis em função dos intervalos de corte, selecionando-se o modelo de melhor ajuste com base no coeficiente de determinação e na significância dos parâmetros. O ensaio sobre o impacto de diferentes intervalos de corte (45, 60, 75 e 90 dias) na produtividade e qualidade nutricional da gliricídia revelou diferenças. Na produção anual de matéria seca, o intervalo de 60 dias registrou 233,34 kg, um valor 14,6% superior ao de 45 dias (203,62 kg) e 18,3% maior que o de 75 dias (197,25 kg). Em comparação com o intervalo de 60 dias, o de 90 dias (184,40 kg) apresentou uma redução de 21,0%. Quanto à composição bromatológica, o teor de proteína bruta diminuiu com o aumento do intervalo de corte: os 32,45% aos 45 dias reduziram-se para 31,41% (-3,2%) aos 60 dias, 30,37% (-3,3% em relação ao anterior) aos 75 dias e 28,60% (-5,8%) aos 90 dias, totalizando uma redução de 11,9% entre os extremos. A relação matéria seca/proteína total (kg/há) no intervalo de 60 dias (122,18 kg/há) foi 27,5% maior em relação ao intervalo de 45 dias (95,85 kg/há) e 28,1% superior ao de 90 dias (87,88 kg/há). A análise da produção de proteína bruta total por hectare (PT/ha), que sintetiza a produtividade de matéria seca e o seu teor proteico, confirma a superioridade do intervalo de corte de 60 dias. Conclui-se, portanto, que o intervalo de corte de 60 dias foi o mais equilibrado, proporcionando o maior rendimento de matéria seca e a melhor relação matéria seca/proteína total por hectare. Embora o teor de proteína bruta seja maximizado em intervalos mais curtos (45 dias), a queda acentuada na produtividade geral torna o manejo com 60 dias mais vantajoso quando o objetivo é otimizar a produção conjunta de matéria e nutrientes. No segundo ensaio, objetivou-se avaliar os efeitos da inclusão de farinha de folhas de gliricídia em dietas de frangos de corte sobre o desempenho zootécnico, as características de carcaça, a morfometria do jejuno, os ácidos graxos de cadeia curta e os parâmetros bioquímicos. O farelo e a farinha de gliricídia foram produzidos a partir de folhas e caules tenros colhidos em quatro diferentes intervalos de corte (45, 60, 75 e 90 dias), provenientes do primeiro ensaio desta tese. Para este ensaio, os intervalos de corte não exerceram influência na produção dos dois derivados, uma vez que todo o material, após a colheita e pesagem foi homogeneizado antes do processamento ambos os produtos. O material foi seco em estufa de ventilação forçada a 55°C por 72 horas e, com o intuito de elevar o teor proteico, os pecíolos foram separados manualmente das lâminas foliares durante a produção do farelo, uma vez que uma análise prévia havia comprovado que os pecíolos possuem menor teor proteico em comparação com as lâminas foliares. Em seguida, o farelo foi moído em moinho do tipo Willey com peneira de malha de 2 mm para produção da farinha, destinada à alimentação das aves e para ser submetida à análise químico-bromatológica e de aminoácidos. A pesquisa foi conduzida com 480 aves de corte machos, linhagem Ross, em delineamento inteiramente casualizado, composto por cinco níveis de inclusão de farinha de gliricídia (0%, 0,75%, 1,5%, 3% e 4,5%), seis repetições e 16 aves por unidade experimental. Foram avaliados parâmetros de desempenho zootécnico (ganho de peso, consumo de ração e conversão alimentar) aos 21 e 42 dias de idade. Ao término do período experimental (42 dias), procedeu-se à coleta de amostras biológicas para análises específicas: fragmentos de jejuno para histomorfometria intestinal (altura de vilosidade, profundidade de cripta e área de absorção); conteúdo cecal para dosagem de ácidos graxos de cadeia curta e sangue para perfil bioquímico sérico (metabólitos e enzimas hepáticas), analisado por espectrofotometria automática. Aos 42 dias, avaliou-se o rendimento de carcaça e cortes, bem como parâmetros de qualidade de carne pH (aos 15 minutos e 24 horas post mortem), cor (aos 15 minutos e 24 horas post mortem), capacidade de retenção de água, perda por cocção, força de cisalhamento e oxidação lipídica por substâncias reativas ao ácido tiobarbitúrico (0, 30 e 90 dias). Os dados coletados foram submetidos à análise de variância, com comparações de médias pelo teste de Dunnett e análise de regressão polinomial, adotando-se um nível de significância de 5%. A inclusão de farinha de gliricídia na ração de frangos de corte apresenta um duplo efeito dose-dependente, atuando como agente fármaco-nutriente. Na fase inicial (1 a 21 dias), observou-se redução no consumo de ração nos tratamentos com 1,5%, 3% e 4,5% de inclusão, com valor mínimo de 863,04 g no nível 4,5% contra 1182,80 g do controle. O nível de 0,75% (1142,17 g) não diferiu do controle. Quanto ao ganho de peso, todos os níveis de inclusão resultaram em valores inferiores ao controle (909,55 g), com o menor valor registrado no nível 4,5% (623,00 g). A conversão alimentar foi superior nos níveis de 3% (1,376) e 4,5% (1,386), enquanto os demais tratamentos mantiveram-se equivalentes ao controle (1,301). Na fase total (1 a 42 dias), constatou-se diferença no consumo de ração em todos os níveis experimentais, incluindo 0,75% (4383 g versus 4614 g do controle). O ganho de peso foi inferior no grupo com 4,5% de inclusão (2466 g versus 3127 g). A conversão alimentar mostrou-se superior no nível 1,5% (1,501 versus 1,476 do controle). O índice de eficiência produtiva foi inferior nos tratamentos com 1,5%, 3% e 4,5% (479, 436 e 404, respectivamente) em comparação ao controle (524). O rendimento de carcaça foi inferior nos níveis de 3% (68,91%) e 4,5% (68,17%), sem diferenças nos demais parâmetros avaliados. Não foram observadas alterações nos valores de substâncias reativas ao ácido tiobarbitúrico, perda por cocção, força de cisalhamento, capacidade de retenção de água, pH, cor da carne ou concentração de ácidos graxos de cadeia curta cecais. Registrou-se redução nas concentrações séricas de ácido úrico (até 3,11 mg/dL) e colesterol (até 100,83 mg/dL) nos tratamentos com 3% e 4,5% de inclusão, sem diferenças nos demais níveis em relação ao controle. Em doses acima de 0,75%, seus compostos bioativos prejudicam o desempenho zootécnico, embora promovam benefícios metabólicos em níveis mais altos (3% a 4,5%), sem afetar a qualidade da carne ou a integridade intestinal. No entanto, para a avicultura comercial, os prejuízos produtivos superam quaisquer vantagens metabólicas, inviabilizando sua utilização nos níveis testados.
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