JEJUM PRÉ-OPERATÓRIO E RECUPERAÇÃO PÓS-CIRÚRGICA EM CIRURGIA GERAL: IMPACTO DOS PROTOCOLOS MODERNOS DE CUIDADOS PERIOPERATÓRIOS
DOI:
https://doi.org/10.51891/rease.v2i1.30002Palabras clave:
Jejum pré-operatório. Recuperação pós-operatória. Cirurgia geral. Cuidados perioperatórios. ERAS.Resumen
Introdução: O jejum pré-operatório constitui uma prática tradicional destinada à redução do risco de regurgitação e aspiração pulmonar durante procedimentos anestésico-cirúrgicos. Entretanto, períodos prolongados de restrição alimentar podem intensificar a resposta metabólica ao trauma, favorecer resistência à insulina, desidratação, desconforto e atraso na recuperação pós-operatória. Protocolos modernos de cuidados perioperatórios, como o Enhanced Recovery After Surgery (ERAS), propõem abreviação segura do jejum e recuperação nutricional precoce, visando melhores desfechos clínicos. Objetivo: Analisar as evidências científicas sobre o impacto da abreviação do jejum pré-operatório e dos protocolos modernos de cuidados perioperatórios na recuperação de pacientes submetidos à cirurgia geral. Métodos: Trata-se de uma revisão narrativa da literatura, realizada nas bases PubMed, SciELO, Biblioteca Virtual em Saúde (BVS) e Cochrane Library. Foram considerados artigos publicados entre 2019 a 2026, nos idiomas português e inglês, além de diretrizes nacionais e internacionais relacionadas ao cuidado perioperatório. Os estudos foram analisados qualitativa e descritivamente. Resultados: As evidências demonstraram que protocolos que permitem líquidos claros até aproximadamente duas horas antes da anestesia, em pacientes adequadamente selecionados, apresentam segurança e reduzem sede, fome, ansiedade e desconforto pré-operatório. Estratégias multimodais, incluindo abreviação do jejum, alimentação pós-operatória precoce, analgesia adequada e mobilização antecipada, mostraram associação com menor resistência insulínica, preservação funcional, recuperação gastrointestinal mais rápida e redução do tempo de internação. Entretanto, a indicação deve ser individualizada diante de condições associadas ao esvaziamento gástrico retardado ou maior risco de aspiração. Conclusão: A modernização do manejo nutricional perioperatório representa importante estratégia para otimizar a recuperação em cirurgia geral. A abreviação criteriosa do jejum, integrada a protocolos multimodais, pode favorecer conforto, recuperação funcional e redução da permanência hospitalar sem comprometer a segurança quando adequadamente indicada. Sua implementação requer protocolos institucionais, avaliação individualizada e integração multiprofissional.
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