O CURRÍCULO DA EDUCAÇÃO INFANTIL: ENTRE A FORMAÇÃO EMANCIPATÓRIA E AS PRESSÕES DA LÓGICA NEOLIBERAL
DOI:
https://doi.org/10.51891/rease.v12i8.29571Palavras-chave:
Currículo. Educação Infantil. Políticas Educacionais.Resumo
O presente artigo tem como objetivo analisar as disputas de concepção que permeiam o currículo da Educação Infantil no Brasil, situando-o como um campo político em tensão entre propostas de formação emancipatória e as pressões exercidas por reformas educacionais de viés neoliberal. A pesquisa, de abordagem qualitativa, caracteriza-se como um estudo bibliográfico e documental, fundamentado na produção acadêmica recente sobre currículo, infância e políticas educacionais, em diálogo com documentos oficiais como as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Infantil (DCNEI) e a Base Nacional Comum Curricular (BNCC). A análise evidencia que, se por um lado há um arcabouço legal que reconhece a criança como sujeito de direitos e preconiza um currículo pautado nas interações e na brincadeira, por outro observa-se a crescente influência de uma agenda global que, por meio de organismos internacionais e parcerias com o setor privado, pressiona por currículos padronizados, focados no desenvolvimento de competências e na mensuração de resultados. A BNCC, embora incorpore princípios das DCNEI, apresenta contradições ao organizar o conhecimento em objetivos de aprendizagem por faixa etária, o que pode conduzir a uma lógica escolarizante e preparatória. Conclui-se que, em meio a essas tensões, é fundamental resistir às investidas homogeneizadoras e defender um currículo vivo, construído no cotidiano escolar a partir da escuta sensível das crianças e da valorização da autoria docente, como caminho para garantir o direito a uma educação infantil pública, democrática e socialmente referenciada.
Downloads
Downloads
Publicado
Como Citar
Edição
Seção
Categorias
Licença
Atribuição CC BY