ETNOMATEMÁTICA E EDUCAÇÃO ESCOLAR INDÍGENA: APRENDIZAGENS MATEMÁTICAS EM PRÁTICAS CULTURAIS DOS POVOS KALAPALO/NAFUKUÁ
DOI:
https://doi.org/10.51891/rease.v12i8.29540Palavras-chave:
Etnomatemática. Educação Escolar Indígena. Cultura Kalapalo.Resumo
Esse artigo buscou compreender como práticas culturais dos povos Kalapalo e Nafukuá constituem ambientes de aprendizagem etnomatemática na educação escolar indígena. O estudo teve como objetivo analisar de que maneira atividades como a pescaria com timbó e a produção de grafismos tradicionais favorecem a construção de conceitos relacionados a medidas corporais, organização espacial, proporcionalidade, simetria e leitura de padrões. A investigação adotou abordagem qualitativa, reunindo relatos etnográficos, descrições de práticas comunitárias e documentos legais que estruturam a educação indígena no Brasil. A análise mostrou que crianças aprendem observando, imitando e participando de atividades coletivas, incorporando modos de raciocínio que emergem da relação entre corpo, ambiente e tradição. Os resultados indicam que a pescaria com timbó envolve decisões baseadas em estimativas empíricas, coordenação coletiva e uso de medidas corporais, enquanto os grafismos revelam domínio de simetrias e estruturas visuais transmitidas entre gerações. Conclui-se que essas práticas constituem sistemas etnomatemáticos completos e legitimados pelo marco legal da educação indígena, oferecendo à escola possibilidades de integrar saberes tradicionais ao currículo sem descaracterizá-los.
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