O DIÁRIO DO MARANHÃO E A FICÇÃO OITOCENTISTA: CIRCULAÇÃO, MEDIAÇÃO, REPERTÓRIO
DOI:
https://doi.org/10.51891/rease.v12i8.29363Palavras-chave:
Circulação literária. Imprensa oitocentista. Diário do Maranhão.Resumo
Este artigo investiga a circulação da prosa de ficção no jornal Diário do Maranhão entre 1874 e 1900, com ênfase na produção portuguesa, mas sem desconsiderar o contexto mais amplo da ficção estrangeira, nacional e local que ocupou as páginas do periódico. A pesquisa, de natureza historiográfica e documental, com abordagem quali-quantitativa, identificou 72 títulos de folhetins e centenas de anúncios de obras literárias ao longo do período estudado. Os resultados indicam a hegemonia da ficção francesa, seguida pela portuguesa. A presença portuguesa, embora secundária, foi constante e concentrou-se em dois momentos: 1874-1877 e 1891-1895, com autores como Pinheiro Chagas, Francisco Gomes de Amorim, Alberto Pimentel e Camilo Castelo Branco. A análise dos anúncios revela a atuação de livreiros e gabinetes de leitura como agentes de mediação cultural, enquanto as críticas publicadas no periódico indicam o papel da redação na legitimação de um repertório literário transatlântico. A pesquisa demonstrou como o Diário do Maranhão atuou como vetor de circulação de bens simbólicos e como espaço de negociação entre gostos locais e tradições estrangeiras, em um processo que envolveu tanto a importação de modelos europeus quanto a emergência de uma produção literária local.
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