IMPACTOS DOS ALIMENTOS ULTRAPROCESSADOS NA SAÚDE HUMANA: EVIDÊNCIAS CLÍNICAS, DESIGUALDADES SOCIAIS E DESAFIOS REGULATÓRIOS
DOI:
https://doi.org/10.51891/rease.v12i8.28286Palavras-chave:
Alimentos ultraprocessados. Determinantes socioeconômicos. Doenças crônicas não transmissíveis. Educação alimentar. Saúde pública.Resumo
O estudo analisa os impactos do consumo de alimentos ultraprocessados na saúde humana, investigando tanto os mecanismos fisiopatológicos envolvidos quanto os determinantes socioeconômicos que condicionam esse consumo. Elaborado e escrito por meio de revisão bibliográfica narrativa de caráter qualitativo, descritivo e exploratório, o artigo fundamenta-se em revisões sistemáticas, meta-análises, estudos epidemiológicos prospectivos e documentos institucionais publicados prioritariamente entre 2013 e 2026, consultados nas bases PubMed, SciELO, Google Scholar e ScienceDirect. Os resultados evidenciam que os alimentos ultraprocessados, classificados no Grupo 4 da escala NOVA, estão associados a múltiplos desfechos negativos em saúde, incluindo obesidade, diabetes mellitus tipo 2, doenças cardiovasculares, síndrome metabólica e mortalidade por todas as causas. Os mecanismos fisiopatológicos identificados compreendem resistência à insulina, inflamação crônica de baixo grau, disbiose intestinal, comprometimento da barreira intestinal e perturbação do eixo intestino-cérebro, com repercussões sobre a saúde mental, incluindo quadros de ansiedade e depressão. Estima-se que 57 mil mortes anuais no Brasil sejam atribuíveis ao consumo desses produtos. A análise dos determinantes socioeconômicos revela que fatores como baixa renda familiar, urbanização acelerada, precarização das condições de trabalho, redução do tempo para o preparo doméstico de refeições e exposição intensiva ao marketing alimentar configuram um ambiente que favorece estruturalmente o consumo de ultraprocessados, perpetuando desigualdades em saúde e ampliando a vulnerabilidade nutricional de populações menos favorecidas. Conclui-se que a redução do consumo desses produtos exige ações integradas entre educação alimentar, políticas públicas regulatórias e inovação tecnológica comprometida com a saúde coletiva.
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