CARDIOVERSÃO ELÉTRICA E DESFIBRILAÇÃO NO MANEJO DAS ARRITMIAS CARDÍACAS: FUNDAMENTOS FISIOLÓGICOS, ASPECTOS TÉCNICOS, DESEMPENHO CLÍNICO E COMPLICAÇÕES
DOI:
https://doi.org/10.51891/rease.v12i6.27921Palavras-chave:
Cardioversão elétrica. Desfibrilação. Arritmias cardíacas. Fibrilação atrial. Taquicardia ventricular.Resumo
As arritmias cardíacas configuram um espectro clínico amplo, variando de distúrbios benignos a condições potencialmente fatais, nas quais a cardioversão elétrica e a desfibrilação se consolidaram como intervenções centrais no manejo eletivo e emergencial. Este artigo tem como objetivo sintetizar os fundamentos fisiológicos, os aspectos técnicos, o desempenho clínico e as principais complicações associadas a esses procedimentos, com base em uma revisão narrativa integrativa da literatura. A reversão elétrica fundamenta-se na despolarização simultânea do miocárdio para interromper circuitos de reentrada e restaurar o ritmo sinusal, diferenciando-se pela sincronização da descarga e pela indicação clínica. A cardioversão sincronizada é empregada sobretudo em arritmias supraventriculares e taquicardia ventricular monomórfica, enquanto a desfibrilação não sincronizada é reservada para fibrilação ventricular e taquicardia ventricular sem pulso, sendo a sincronização com a onda R um elemento crítico de segurança. O sucesso da reversão depende de fatores como tipo e duração da arritmia, presença de cardiopatia estrutural e parâmetros técnicos, incluindo forma de onda, carga energética inicial e posicionamento dos eletrodos, com taxas globais de sucesso entre 70% e 90%. Em fibrilação atrial, a reversão elétrica não se mostra superior ao controle de frequência em desfechos clínicos maiores, exigindo individualização da conduta e anticoagulação adequada, ao passo que, nas arritmias ventriculares malignas, o tempo até a primeira descarga é o principal determinante prognóstico. As complicações incluem alterações eletrocardiográficas transitórias, arritmias benignas, embolização sistêmica e disfunção miocárdica transitória, reforçando a necessidade de preparo rigoroso e monitorização contínua. Conclui-se que a cardioversão elétrica e a desfibrilação são intervenções essenciais e seguras quando bem indicadas, com desempenho condicionado por variáveis clínicas e técnicas, persistindo lacunas quanto à padronização ideal dos parâmetros e aos desfechos de longo prazo.
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