USO DE PSICOESTIMULANTES E A CULTURA DO SUPERDESEMPENHO ENTRE ACADÊMICOS DE MEDICINA: UMA REVISÃO INTEGRATIVA DA LITERATURA
DOI:
https://doi.org/10.51891/rease.v12i6.27228Palavras-chave:
Estudantes de medicina. Psicoestimulantes. Aprimoramento cognitivo. Saúde mental. Medicalização.Resumo
O ambiente acadêmico do curso de Medicina é marcado por elevada carga horária, intensa competitividade e pressão constante por desempenho, fatores que favorecem a adoção de estratégias farmacológicas voltadas ao aumento da concentração, da vigília e da produtividade intelectual. Nesse contexto, o uso não prescrito de psicoestimulantes, como metilfenidato, lisdexanfetamina, modafinil e cafeína em doses elevadas, tem se tornado cada vez mais frequente entre estudantes de Medicina, muitas vezes legitimado por uma cultura de superdesempenho que naturaliza a medicalização da rotina acadêmica. O presente estudo consiste em uma revisão integrativa da literatura com o objetivo de analisar a prevalência, os determinantes, os efeitos e as implicações éticas e clínicas do uso de substâncias psicoativas com finalidade de aprimoramento cognitivo nesse grupo populacional. Os achados demonstram prevalência variável, com taxas superiores a 20% em algumas amostras, associadas principalmente à privação de sono, ansiedade, perfeccionismo e pressão social. Embora esses fármacos possam proporcionar melhora transitória da atenção e do estado de alerta, seu uso indevido está relacionado a dependência, insônia, sintomas cardiovasculares e agravamento de transtornos psiquiátricos. Conclui-se que a banalização dos psicoestimulantes entre acadêmicos de Medicina reflete um fenômeno multifatorial, que exige intervenções institucionais voltadas à promoção da saúde mental e ao enfrentamento da cultura de desempenho extremo.
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