ETNOFARMACOLOGIA E EDUCAÇÃO DECOLONIAL: INTEGRANDO OS SABERES TRADICIONAIS DA CAATINGA NOS CURRÍCULOS GLOBAIS DE SAÚDE

Autores

  • Paulo Roberto Ramos UNIVASF
  • Rodrigo Almeida Ferreira Universidade Federal do Vale do São Francisco
  • Andreza Monteiro Cavalcante Universidade Federal do Vale do São Francisco
  • Michael Douglas Alves dos Santos UNEB
  • Fernando Pereira Coelho Universidade Federal do Vale do São Francisco
  • Pedro Paulo da Cunha Universidade Federal do Vale do São Francisco
  • Raimundo Ribeiro Galvão Filho Universidade Federal do Vale do São Francisco
  • Natália Gomes de Carvalho Freitas Universidade Federal do Vale do São Francisco
  • Maria Eliete Ribeiro de Araújo Universidade Federal do Vale do São Francisco
  • Débora Cíntia Oliveira da Silva FABEX
  • Antonione Antunes dos Santos UNIVASF
  • Maria Auxiliadora dos Santos Alves Universidade Federal do Vale do São Francisco
  • Geovani Dionísio Coelho
  • Gabriela Garcia de Andrade UNIVASF

DOI:

https://doi.org/10.51891/rease.v12i5.26390

Palavras-chave:

Etnofarmacologia. Caatinga. Educação decolonial. Protocolo de Nagoya. Currículos de saúde. Revisão integrativa.

Resumo

A hegemonia do modelo biomédico ocidental nos currículos de saúde configura um ato sistemático de silenciamento epistêmico, cujas consequências recaem de forma desproporcional sobre populações que historicamente construíram suas práticas terapêuticas a partir de saberes territorialmente enraizados. Este artigo apresenta os resultados de uma revisão integrativa de literatura, conduzida entre outubro de 2025 e março de 2026, com o objetivo de mapear a produção científica sobre plantas medicinais da Caatinga, analisar os marcos regulatórios de acesso e repartição de benefícios no contexto do Protocolo de Nagoya e propor um Modelo de Educação de Transição Etnofarmacológica (META) para currículos globais de saúde. A partir de um corpus final de 36 estudos, organizados em três eixos analíticos, a revisão evidenciou: (i) a riqueza fitoquímica e farmacológica das espécies da Caatinga, comprovada em estudos laboratoriais e etnobotânicos, permanece estruturalmente ausente das grades curriculares; (ii) o Protocolo de Nagoya, embora necessário, produz efeitos paradoxais ao onerar desproporcionalmente pesquisadores do Sul Global; (iii) a descolonização curricular em saúde é uma exigência epistemológica urgente, ainda insuficientemente operacionalizada. O META, proposto como contribuição original deste artigo, articula cinco dimensões: reconhecimento, integração, regulação, prática clínica e advocacia epistêmica. Os resultados indicam que a integração dos saberes etnofarmacológicos da Caatinga nos currículos de saúde não constitui apenas um gesto de justiça cultural, mas uma estratégia concreta de inovação pedagógica com impacto direto na saúde coletiva.

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Biografia do Autor

Paulo Roberto Ramos, UNIVASF

Docente da Universidade Federal do Vale do São Francisco - (UNIVASF). 

Rodrigo Almeida Ferreira, Universidade Federal do Vale do São Francisco

Discente do PPGDiDeS da Universidade Federal do Vale do São Francisco. 

Andreza Monteiro Cavalcante, Universidade Federal do Vale do São Francisco

Discente do PPGDiDeS da Universidade Federal do Vale do São Francisco. 

Michael Douglas Alves dos Santos, UNEB

Discente do PPGESA da Universidade do Estado da Bahia (UNEB). 

Fernando Pereira Coelho, Universidade Federal do Vale do São Francisco

Mestre pelo PPGDiDeS da Universidade Federal do Vale do São Francisco. 

Pedro Paulo da Cunha, Universidade Federal do Vale do São Francisco

Discente do PPGDiDeS da Universidade Federal do Vale do São Francisco. 

Raimundo Ribeiro Galvão Filho, Universidade Federal do Vale do São Francisco

Discente do PPGDiDeS da Universidade Federal do Vale do São Francisco. 

Natália Gomes de Carvalho Freitas, Universidade Federal do Vale do São Francisco

Discente do PPGDiDeS da Universidade Federal do Vale do São Francisco. 

Maria Eliete Ribeiro de Araújo, Universidade Federal do Vale do São Francisco

Discente do PPGDiDeS da Universidade Federal do Vale do São Francisco. 

Débora Cíntia Oliveira da Silva, FABEX

Especialista em Saúde Pública pela FABEX. 

Antonione Antunes dos Santos, UNIVASF

Discente do doutorado do PPGADT da UNIVASF. 

Maria Auxiliadora dos Santos Alves, Universidade Federal do Vale do São Francisco

Servidora da Universidade Federal do Vale do São Francisco. 

Geovani Dionísio Coelho

Especialista em Agricultura Orgânica pela Faveni. 

Gabriela Garcia de Andrade, UNIVASF

Especialista em Residência Multiprofissional em Intensivíssimo pela UNIVASF.

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Publicado

2026-05-08

Como Citar

Ramos, P. R., Ferreira, R. A., Cavalcante, A. M., Santos, M. D. A. dos, Coelho, F. P., Cunha, P. P. da, … Andrade, G. G. de. (2026). ETNOFARMACOLOGIA E EDUCAÇÃO DECOLONIAL: INTEGRANDO OS SABERES TRADICIONAIS DA CAATINGA NOS CURRÍCULOS GLOBAIS DE SAÚDE. Revista Ibero-Americana De Humanidades, Ciências E Educação, 12(5), 1–35. https://doi.org/10.51891/rease.v12i5.26390