QUANDO A VIOLÊNCIA SE TORNA ACEITÁVEL: A CONSTRUÇÃO DA VÍTIMA LEGÍTIMA DO LINCHAMENTO COMO INIMIGO SOCIAL PUNÍVEL

Autores

  • Augusto José Couto de Faria Neto TJPE
  • José Welhinjton Cavalcante Rodrigues UFPB
  • Ricardo Borba Almeida Lima TJPE

DOI:

https://doi.org/10.51891/rease.v12i8.29466

Palavras-chave:

Linchamento. Inimigo social. Estigmatização. Controle social.

Resumo

Este estudo investiga de que maneira a construção histórica e social do inimigo influencia a aceitação do linchamento como forma de punição na sociedade brasileira. Parte-se da compreensão de que a violência coletiva não decorre exclusivamente da prática de um crime, mas de processos que atribuem a determinados indivíduos a condição de ameaça à ordem social. Para isso, desenvolveu-se pesquisa qualitativa, de caráter exploratório e explicativo, baseada em revisão bibliográfica e análise crítico-interpretativa de produções das áreas da Sociologia, Antropologia, História e Criminologia. A análise evidencia que discursos históricos, mecanismos de controle social, práticas de rotulação e processos de estigmatização contribuem para a formação de sujeitos socialmente identificados como perigosos, favorecendo sua exclusão e reduzindo o reconhecimento de sua condição de sujeitos de direitos. Os dados empíricos examinados reforçam que os episódios de linchamento incidem predominantemente sobre pessoas em situação de vulnerabilidade social, previamente associadas à criminalidade e à marginalidade. Conclui-se que a legitimação dessa forma de violência resulta de um processo contínuo de construção simbólica do inimigo social, no qual determinados indivíduos passam a ser percebidos como passíveis de eliminação em nome da preservação da ordem coletiva, revelando que o linchamento constitui expressão de dinâmicas históricas de exclusão e desumanização, e não uma reação espontânea a condutas criminosas.

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Biografia do Autor

Augusto José Couto de Faria Neto, TJPE

Graduado em Ciências Jurídicas e Sociais pela Universidade Federal de Campina Grande (UFCG), 2008. Servidor público do Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE).

José Welhinjton Cavalcante Rodrigues, UFPB

Doutor em Ciências Jurídicas pela UFPB. Pós‑doutor em Direitos Humanos, Cidadania e Políticas Públicas pela UFPB. Mestre em Direitos Humanos, Cidadania e Políticas Públicas pela UFPB. Professor convidado do Mestrado em Ciências Jurídicas da Veni Creator. Atualmente realiza pós‑doutorado em Direito e Desenvolvimento Sustentável no Programa de Pós‑graduação em Direito do Centro Universitário de João Pessoa (PPGD/UNIPÊ). Membro do Grupo de Pesquisa em Linguagem, Educação, Filosofia e Direito (GPLEFD/PPGD/UNIPÊ) e líder da Linha de Pesquisa em Discurso de Ódio e Direitos Humanos (LPDODH/GPLEFD/UNIPÊ).

Ricardo Borba Almeida Lima, TJPE

Graduado em Direito pelo Centro Universitário Tabosa de Almeida (ASCES‑UNITA), 2010. Pós‑graduado em Direito Penal e Processual Penal pela Universidade Anhanguera‑Uniderp, 2021. Servidor público do Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE).

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Publicado

2026-08-11

Como Citar

Faria Neto, A. J. C. de, Rodrigues, J. W. C., & Lima, R. B. A. (2026). QUANDO A VIOLÊNCIA SE TORNA ACEITÁVEL: A CONSTRUÇÃO DA VÍTIMA LEGÍTIMA DO LINCHAMENTO COMO INIMIGO SOCIAL PUNÍVEL. Revista Ibero-Americana De Humanidades, Ciências E Educação, 12(8), 1–15. https://doi.org/10.51891/rease.v12i8.29466