ENTRE AGÊNCIA, LOGOTIPOS E COISIFICAÇÃO ANIMAL: TENSIONANDO OS LIMITES DA TEORIA DE ALFRED GELL A PARTIR DA VEGANTROPOLOGIA
DOI:
https://doi.org/10.51891/rease.v12i8.29462Palavras-chave:
Agência. Alfred Gell. Coisificação animal. Especismo estrutural. Vegantropologia.Resumo
Este artigo aproxima a teoria da agência de Alfred Gell da Vegantropologia para analisar como logotipos associados à comercialização de corpos animais e produtos de origem animal administram visual e verbalmente a presença animal, orientam abduções seletivas de agência e naturalizam a conversão de animais em mercadorias. A pesquisa é qualitativa, documental e interpretativa e toma como corpus três logotipos de marcas comerciais: O Rei dos Cabritos, Rede Frango Assado e Porco Feliz. Com base nas noções gellianas de índice e abdução de agência, em diálogo com o conceito de referente ausente de Carol J. Adams, examinam-se marcas verbais e figurativas, elementos tipográficos e personagens visuais. A análise mostra que esses dispositivos orientam abduções seletivas de agência compatíveis com o consumo: ora atribuem aos animais uma agência domesticada e os representam como afáveis ou artificialmente felizes; ora deslocam sua agência para a marca, o prato e a experiência de consumo. Enquanto sofrimento, abate, medo e morte ficam fora de cena, tradição, simpatia, sabor, familiaridade e felicidade tornam-se inferíveis. Conclui-se que esses logotipos funcionam como índices especistas: preservam o animal como nome, personagem, sorriso ou vestígio gráfico, mas administram seletivamente sua presença e ocultam sua condição de sujeito senciente.
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