MANEJO CIRÚRGICO DA OBSTRUÇÃO INTESTINAL POR ADERÊNCIAS:CONDUTAS TRADICIONAIS E MINIMAMENTE INVASIVAS
DOI:
https://doi.org/10.51891/rease.v2i1.29366Palavras-chave:
Obstrução intestinal. Aderências peritoneais. Laparoscopia. Laparotomia. Cirurgia gastrointestinal.Resumo
Introdução: A obstrução intestinal por aderências representa a principal causa de obstrução do intestino delgado em pacientes submetidos previamente a procedimentos cirúrgicos abdominais, sendo responsável por elevada morbidade, recorrência e custos hospitalares. O processo de formação de aderências decorre da resposta inflamatória e cicatricial do peritônio, podendo resultar em dor abdominal, distensão, vômitos, isquemia intestinal e necessidade de intervenção cirúrgica de urgência. Embora o tratamento conservador seja indicado em casos selecionados, a abordagem cirúrgica permanece essencial diante de sinais de estrangulamento, isquemia ou falha do manejo clínico. Nesse cenário, a comparação entre técnicas tradicionais e minimamente invasivas torna-se relevante para orientar a prática baseada em evidências. Objetivo: Analisar as evidências científicas acerca do manejo cirúrgico da obstrução intestinal por aderências, comparando as condutas convencionais e minimamente invasivas quanto aos desfechos clínicos. Métodos: Trata-se de uma revisão narrativa da literatura, realizada mediante busca nas bases de dados PubMed, SciELO, Biblioteca Virtual em Saúde (BVS) e Cochrane Library. Foram selecionados artigos publicados entre 2019 e 2025, nos idiomas português e inglês, além de diretrizes internacionais relacionadas ao manejo da obstrução intestinal por aderências. Os estudos elegíveis foram submetidos à análise qualitativa e descritiva. Resultados: As evidências demonstraram que a laparotomia continua sendo a abordagem de escolha em pacientes com instabilidade hemodinâmica, suspeita de necrose intestinal, perfuração ou distensão abdominal importante. Em contrapartida, a laparoscopia mostrou-se segura e eficaz em casos selecionados, proporcionando menor trauma cirúrgico, redução da dor pós-operatória, menor incidência de infecção do sítio cirúrgico, recuperação mais rápida da função intestinal, redução do tempo de internação e menor formação de novas aderências. Entretanto, sua realização depende da adequada seleção dos pacientes, da experiência da equipe cirúrgica e da disponibilidade de recursos tecnológicos, uma vez que aderências extensas aumentam o risco de lesões intestinais inadvertidas e conversão para cirurgia aberta. Conclusão: O manejo cirúrgico da obstrução intestinal por aderências deve ser individualizado, considerando a gravidade clínica, os achados de imagem e as condições intraoperatórias. A cirurgia minimamente invasiva apresenta vantagens significativas em pacientes criteriosamente selecionados, enquanto a laparotomia permanece indispensável nos casos complexos. A adoção de protocolos assistenciais baseados em evidências contribui para reduzir complicações, recorrências e morbimortalidade, promovendo maior segurança e qualidade na assistência cirúrgica.
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