VOZES DO CÁRCERE: PERCEPÇÃO DE MULHERES PRIVADAS DE LIBERDADE SOBRE A ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM RECEBIDA NO CICLO GRAVÍDICO-PUERPERAL
DOI:
https://doi.org/10.51891/rease.v4i01.28182Palavras-chave:
Mulheres privadas de liberdade. Assistência de enfermagem. Gestação. Puerpério. Sistema prisional. Saúde da mulher. Enfermeiro. Pré-natal. Cárcere.Resumo
A assistência à saúde de mulheres privadas de liberdade durante o ciclo gravídico-puerperal constitui um importante desafio para os serviços de saúde, especialmente diante das vulnerabilidades inerentes ao contexto prisional. Este estudo teve como objetivo identificar quais aspectos da assistência de enfermagem são considerados adequados ou insuficientes por mulheres privadas de liberdade, bem como descrever os principais desafios, fragilidades e potencialidades dessa assistência. Trata-se de uma revisão integrativa da literatura, de caráter descritivo e abordagem qualitativa, realizada nas bases de dados Biblioteca Virtual em Saúde (BVS), Scientific Electronic Library Online (SciELO), Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciências da Saúde (LILACS) e Google Acadêmico. Foram incluídos estudos publicados entre 2020 e 2025, em língua portuguesa, relacionados à assistência de enfermagem no ciclo gravídico-puerperal de mulheres em situação de cárcere. A amostra final foi composta por 20 estudos. Os resultados evidenciaram que a assistência de enfermagem é frequentemente reconhecida pelas mulheres como importante fonte de acolhimento, orientação e apoio durante a gestação, parto e puerpério. Entretanto, persistem fragilidades relacionadas ao acesso e à continuidade do pré-natal, insuficiência de recursos humanos e materiais, precariedade estrutural das unidades prisionais, desarticulação com a rede de atenção à saúde, violência obstétrica, restrição de direitos e insuficiência de suporte emocional. Em contrapartida, destacaram-se como potencialidades a realização de consultas de enfermagem, ações educativas, incentivo ao aleitamento materno, escuta qualificada e fortalecimento do vínculo terapêutico. Conclui-se que, embora existam avanços na assistência às gestantes e puérperas privadas de liberdade, ainda são necessárias estratégias que fortaleçam a humanização do cuidado, a qualificação profissional, a infraestrutura dos serviços e a efetivação dos direitos reprodutivos e maternos dessa população, contribuindo para uma assistência integral, equitativa e de qualidade.
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