A PROTEÇÃO NA MIRA DA ARMA: UMA ANÁLISE JUNGUIANA DA MATERNIDADE NA SÉRIE “OS OUTROS” (2023)
DOI:
https://doi.org/10.51891/rease.v12i5.27054Palavras-chave:
Arquétipo Materno. Polo devorador. Psicologia Analítica.Resumo
Este ensaio analisa a representação da maternidade no primeiro episódio da série brasileira Os Outros (2023), produzida pelo Globoplay, a partir da Psicologia Analítica de Carl Gustav Jung. Para isso, parte-se do seguinte problema de pesquisa: de que forma a representação da maternidade na primeira temporada da série Os Outros (2023) exemplifica os elementos simbólicos associados ao arquétipo materno devorador? Assim, objetiva-se analisar a maternidade apresentada na série à luz do arquétipo materno em seu polo negativo, compreendendo como o cuidado, quando atravessado pelo medo e pela necessidade de controle, pode converter-se em dinâmica de retenção psíquica. Metodologicamente, trata-se de uma pesquisa básica, descritiva, qualitativa, bibliográfica e documental, pautada numa revisão narrativa sustentada por uma análise hermenêutica-junguiana do episódio selecionado. A fundamentação teórica apoia-se principalmente em Jung (2014a; 2014b), Neumann (1999), Fordham (2006), Hall (2021) e Kalsched (2013), com ênfase nos conceitos de arquétipo e arquétipo materno. A análise indica que Cibele não é representada como uma mãe negligente, mas como uma figura profundamente implicada no cuidado do filho, cuja tentativa de proteção se intensifica até assumir formas de controle, infantilização e ameaça à autonomia adolescente, atualizando simbolicamente o polo devorador do arquétipo materno.
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