FACOEMULSIFICAÇÃO ASSISTIDA POR FEMTOSSEGUNDO VERSUS MANUAL NA PERDA ENDOTELIAL EM CATARATAS DENSAS
DOI:
https://doi.org/10.51891/rease.v12i8.29416Palabras clave:
Catarata. Facoemulsificação. Laser de Femtossegundo. Endotélio Corneano. Perda de Células Endoteliais.Resumen
Introdução: A catarata densa representou um dos maiores desafios da cirurgia oftalmológica por dificultar a fragmentação do cristalino e aumentar a necessidade de energia ultrassônica durante a facoemulsificação, fator diretamente relacionado ao dano ao endotélio corneano. Nesse contexto, a introdução do laser de femtossegundo promoveu maior precisão na realização das incisões, da capsulotomia e da fragmentação nuclear, reduzindo a manipulação intraocular e a dissipação de energia. Entretanto, permaneceu a discussão quanto à superioridade dessa tecnologia em relação à técnica manual, especialmente em cataratas de maior densidade, nas quais a preservação das células endoteliais esteve associada à manutenção da transparência corneana, à recuperação visual mais rápida e à menor incidência de edema corneano pós-operatório. A presente revisão sistemática de literatura teve como objetivo comparar a facoemulsificação assistida por laser de femtossegundo com a facoemulsificação manual quanto à perda de células endoteliais em pacientes submetidos à cirurgia de cataratas densas, sintetizando as principais evidências científicas sobre eficácia, segurança e desfechos clínicos. Metodologia: A revisão foi conduzida conforme as recomendações do checklist PRISMA, utilizando artigos científicos publicados nos últimos 10 anos e indexados nas bases PubMed, SciELO e Web of Science. Foram empregados os descritores "Catarata", "Facoemulsificação", "Laser de Femtossegundo", "Endotélio Corneano" e "Perda de Células Endoteliais". Os critérios de inclusão compreenderam estudos envolvendo pacientes com cataratas densas, comparação direta entre as duas técnicas cirúrgicas e avaliação quantitativa da perda endotelial. Foram excluídos relatos de caso, estudos experimentais em animais e pesquisas sem dados específicos sobre desfechos endoteliais. Resultados: Os estudos demonstraram que a facoemulsificação assistida por femtossegundo reduziu significativamente a energia ultrassônica cumulativa e o tempo efetivo de facoemulsificação, favorecendo menor perda de células endoteliais e menor edema corneano precoce. Também foram observadas maior precisão da capsulotomia, fragmentação nuclear mais uniforme, melhor previsibilidade cirúrgica e recuperação visual inicial mais rápida. Contudo, parte das evidências indicou que, quando executada por cirurgiões experientes e com técnicas otimizadas, a facoemulsificação manual apresentou resultados visuais finais semelhantes, especialmente em longo prazo. Conclusão: As evidências indicaram que a facoemulsificação assistida por femtossegundo proporcionou maior proteção ao endotélio corneano em cataratas densas ao reduzir a energia ultrassônica e o trauma intraocular. Apesar disso, os benefícios clínicos de longo prazo mostraram-se discretos em comparação à técnica manual, cuja eficácia permaneceu elevada quando realizada com adequada experiência cirúrgica. Dessa forma, concluiu-se que a tecnologia de femtossegundo representou uma alternativa segura e potencialmente vantajosa para casos complexos, embora sua indicação devesse considerar custos, disponibilidade tecnológica e perfil clínico dos pacientes.
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