ANJOS DA MORTE: GOVERNANÇA CRIMINAL RELIGIOSO-ARMADA E DISPUTAS SIMBÓLICAS NO COMPLEXO DE ISRAEL

Autores/as

DOI:

https://doi.org/10.51891/rease.v12i8.29238

Palabras clave:

Narcopentecostalismo. Governança criminal. Terceiro Comando Puro. Religião e poder. Racismo religioso. Complexo de Israel.

Resumen

O artigo analisa o chamado narcopentecostalismo como forma de apropriação criminal de repertórios religiosos em territórios submetidos ao domínio armado, tendo como eixo empírico o Terceiro Comando Puro e o denominado Complexo de Israel, no Rio de Janeiro. A pesquisa pergunta de que modo símbolos, narrativas e linguagens de matriz pentecostal são mobilizados por organizações criminosas para produzir legitimidade, disciplinar condutas e eliminar autoridades simbólicas concorrentes em espaços de baixa densidade estatal. A hipótese sustenta que o fenômeno não pode ser reduzido nem à conversão individual de traficantes nem à expansão sociológica do pentecostalismo no Brasil, devendo ser compreendido como modalidade de governança criminal religiosa-armada, na qual violência, território, economia ilícita e produção de sentido moral se articulam em uma estrutura de dominação local. Metodologicamente, trata-se de pesquisa qualitativa, exploratória e analítico-interpretativa, fundamentada em revisão bibliográfica, análise documental indireta, exame de fontes jornalísticas qualificadas, dados oficiais recentes e comparação histórica controlada com a Ordem dos Templários e a Cosa Nostra siciliana. O referencial teórico mobiliza a legitimidade em Weber, o discurso e o poder em Foucault, o poder simbólico em Bourdieu, a necropolítica em Mbembe, a criminologia crítica em Baratta, Garland, Wacquant e Zaffaroni, além da noção de absurdo em Camus. Os resultados indicam que a apropriação criminal da religião opera como técnica de governo das condutas, convertendo a obediência armada em dever moral, a violência em purificação simbólica e a perseguição às religiões de matriz africana em estratégia de eliminação de cosmologias concorrentes. Sustenta-se, ainda, que a gestão paraestatal exercida por redes criminosas organizadas incide sobre uma democracia de riscos, entendida como distribuição desigual de proteção, medo e exposição à violência em territórios periféricos. Conclui-se que o enfrentamento do fenômeno exige mais do que a repressão policial, demandando a reconstrução da presença estatal, a proteção efetiva da liberdade religiosa, políticas públicas territorializadas e a produção democrática de pertencimento social.

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Biografía del autor/a

Davi Oliveira Machado Rocha, Universidade Federal do Maranhão

Membro do Grupo de Pesquisa Cultura, Direito e Sociedade e da Liga Acadêmica de Ciências Criminais do Curso de Direito da Universidade Federal do Maranhão (LACRIM). Discente do curso em Direito da Universidade Federal do Maranhão.

Renan Fontes Gondim, Universidade Federal do Maranhão

Membro do Grupo de Pesquisa Cultura, Direito e Sociedade e da Liga Acadêmica de Ciências Criminais do Curso de Direito da Universidade Federal do Maranhão (LACRIM). Discente do curso em Direito da Universidade Federal do Maranhão.

Cássius Guimarães Chai, Universidade Federal do Maranhão

Doutor em Direito Constitucional pela Universidade Federal de Minas Gerais e pela Cardozo School of Law (NY). Professor titular do Programa de Pós-Graduação stricto sensu em Direitos e Garantias Fundamentais (PPGD/FDV). Professor Titular da Universidade Federal do Maranhão. Graduação em Direito (UFMA) e Mestrado Profissional em Administração Pública (PROFIAP) e do Mestrado em Engenharia Aeroespacial (PPGAERO).

Publicado

2026-08-04

Cómo citar

Rocha, D. O. M., Gondim, R. F., & Chai, C. G. (2026). ANJOS DA MORTE: GOVERNANÇA CRIMINAL RELIGIOSO-ARMADA E DISPUTAS SIMBÓLICAS NO COMPLEXO DE ISRAEL. Revista Ibero-Americana De Humanidades, Ciências E Educação, 12(8), 1–21. https://doi.org/10.51891/rease.v12i8.29238