OS EFEITOS DA DITADURA MILITAR NA EDUCAÇÃO BRASILEIRA
Palabras clave:
Military Dictatorship. The effects of the Military Dictatorship on Brazilian education. Educational advances and setbacks after the Military DictatorshipResumen
A educação brasileira tem passado por múltiplas transformações ao longo da história, marcadas por avanços pontuais e retrocessos significativos que, em muitos momentos, contribuíram para a estagnação do processo educacional. Inserida nesse contexto histórico, a Ditadura Militar (1964–1985) representa um período de profundas interferências políticas, ideológicas e estruturais no campo educacional, cujos reflexos ainda podem ser percebidos na contemporaneidade. Diante dessa realidade, o presente trabalho propõe-se a discutir de que forma a ditadura militar afetou a educação brasileira, buscando compreender as mudanças ocorridas nesse período, bem como os avanços e retrocessos que se sucederam ao longo do tempo.
O objetivo central da pesquisa consiste em analisar o impacto da ditadura militar sobre a educação nacional, identificando os atrasos provocados pelas políticas autoritárias, ao mesmo tempo em que se examinam as transformações implementadas e suas repercussões no cenário educacional atual. A investigação parte da compreensão de que o regime militar imprimiu à educação uma lógica centralizadora, tecnicista e ideologicamente controlada, orientada mais pela manutenção da ordem e da moral conservadora do que pela formação crítica e emancipatória dos sujeitos. Nesse contexto, professores e estudantes foram alvo de repressão, censura e perseguições, o que comprometeu a liberdade acadêmica, o pensamento crítico e a participação democrática no ambiente escolar e universitário.
A escolha do tema justifica-se pela necessidade de aprofundar o entendimento acerca dos efeitos históricos da ditadura militar na educação brasileira, bem como de promover o diálogo com diferentes autores que analisam esse período sob distintas perspectivas teóricas. Ao trazer essas discussões para o meio acadêmico, busca-se contribuir para a reflexão crítica sobre os caminhos percorridos pela educação no Brasil e sobre os desafios que ainda persistem. A pesquisa fundamenta-se em uma metodologia de caráter bibliográfico, com base em autores reconhecidos e em fontes confiáveis, tais como bases de dados da CAPES, Google Acadêmico, SciELO e periódicos científicos, contemplando produções publicadas nos últimos dez anos. Trata-se de um estudo de abordagem qualitativa, que privilegia a análise teórica e interpretativa dos efeitos da ditadura militar na educação brasileira.
Os resultados evidenciam que as transformações educacionais ocorridas durante e após o regime militar foram, em grande parte, abruptas e conduzidas por agentes distantes da realidade escolar, o que contribuiu para a fragilização da autonomia pedagógica e da participação dos profissionais da educação nos processos decisórios. Apesar do discurso de modernização e expansão do ensino, o período foi marcado por um modelo educacional pouco democrático, no qual professores, embora diretamente envolvidos no cotidiano escolar, foram excluídos da formulação de leis, decretos e projetos educacionais, limitando-se a cumprir determinações impostas de forma verticalizada. Ademais, a desvalorização profissional, expressa em baixos salários e precárias condições de trabalho, consolidou-se como uma herança negativa desse período histórico.
Conclui-se, portanto, que a ditadura militar exerceu influência significativa sobre a educação brasileira, deixando marcas profundas que ainda repercutem nas políticas educacionais e na organização do sistema de ensino. A análise desse período revela a importância de se fortalecer uma educação democrática, participativa e comprometida com a formação crítica, na qual professores e estudantes tenham voz ativa na construção de um projeto educacional que atenda às reais necessidades da sociedade.
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