TENSÃO ENTRE O CORPO PRODUTIVO E O CORPO LÚDICO NA ERA DA HIPERCONECTIVIDADE
DOI:
https://doi.org/10.51891/rease.v12i10.30890Palavras-chave:
Lazer, Hiperconectividade, Direito à desconexãoResumo
Este artigo analisa a tensão entre o corpo produtivo, orientado pelo desempenho, eficiência e disponibilidade permanente, e o corpo lúdico, associado ao descanso, afeto, criação e resistência, no cotidiano dos servidores técnico-administrativos em educação (TAEs) da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). A discussão fundamenta-se em uma perspectiva crítica sobre trabalho e lazer, em diálogo com Simone Weil, Paul Lafargue e Christianne Gomes. Trata-se de um recorte qualitativo de pesquisa descritiva de natureza mista, realizada em 2023 com 255 servidores, privilegiando respostas discursivas submetidas à Análise de Conteúdo de Bardin. Os resultados apontam indícios de que as tecnologias digitais, entre elas o WhatsApp, participam de um contexto de permeabilização das fronteiras entre trabalho e vida pessoal. O sofrimento psíquico e a sobreposição entre trabalho remunerado, responsabilidades domésticas e atividades de cuidado, especialmente entre as mulheres, também restringem as possibilidades de lazer. Conclui-se que as tensões entre trabalho e lazer evidenciam a importância de preservar tempos e espaços de não trabalho, situando o lazer como possibilidade de resistência, cuidado de si e autonomia. Nesse contexto, o direito à desconexão constitui um desdobramento institucional relevante para a proteção da saúde e da dignidade dos trabalhadores.
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