FAMÍLIA E ESCOLA: UMA RELAÇÃO DE PARCERIA NO PROCESSO DE ENSINO E APRENDIZAGEM NA EDUCAÇÃO INFANTIL – UM ESTUDO ASSERTIVO NUMA CRECHE NO MUNICÍPIO DE SANTA CRUZ DO CAPIBARIBE-PE
DOI:
https://doi.org/10.51891/rease.v12i7.28654Palavras-chave:
Família e Escola. Criança e Família. Ensino e Aprendizagem. Educação Infantil.Resumo
O trabalho em si é parte de uma pesquisa de Mestrado em Ciências da Educação pela Universidad Del Sol – (UNADES-PY). Aliado a isto, o estudo reflete a importância entre a família e a escola, ou seja, ao fortalecer essa relação, poderá haver maior contribuição ao tocante para o desenvolvimento da criança. A metodologia eleita foi a de cunho bibliográfico e descritiva e tem abordagem qualitativa, mas se desenvolveu a partir da aplicação de 2 (dois) questionários direcionados a (equipe diretiva e às educadoras) bem como aos (pais das crianças) da creche com (perguntas abertas e fechadas) contando com um total de 30 informantes, isto é, 8 (oito) professoras, 20 (vinte) pais e 2 (duas) pessoas da equipe diretiva: direção e coordenação. Porém, a recolha dos dados articulou-se de forma empírica em uma Creche Municipal de Ensino Infantil localizada na Cidade de Santa Cruz do Capibaribe no Estado de Pernambuco. Em especial, as turmas de Berçário, Maternalzinho, Maternal I e Maternal II foram o lugar de fala e voz quando da pesquisa in lócus. Por sua vez, o tratamento dos dados e seus resultados foram constituídos por meio de gráficos e tabelas tendo o teor e a forma da ética em pesquisa quando na oportunidade foi aplicado o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido - TCLE e o Termo de Anuência – TA para resguardar os sujeitos no referido estudo. Além disso, o estudo assertivo objetivou em analisar a relação família escola numa instituição de Educação Infantil no município de Santa Cruz do Capibaribe-PE. Secundariamente, investigar como se estabelece a relação entre família e escola considerando as percepções dos envolvidos; e, conhecer as formas de participação da família, estão entre os objetivos específicos. Em especial, retomar as transformações históricas família e escola, com ênfase na evolução no modelo familiar patriarcal. Diante disso, elegeu-se as seguintes questões norteadoras, a saber: Até que ponto a família está desempenhando sua função social? Como está relacionada na educação dos filhos? Como é a relação entre a creche e a família diante do processo de aprendizagem? Seria possível uma melhor articulação para envolver os familiares já que nos deparamos com esse distanciamento, em que a escola culpa os pais por falta de tempo e responsabilidade com seus filhos? Logo, diante desses apontamentos é possível enxergar que com esses novos arranjos familiares, notam-se diversas situações em que muitos pais são separados, famílias recompostas, avôs criando os netos. Por sua vez, a institucionalização das escolas, onde as crianças são atendidas em tempo integral, existe a necessidade de aprimorar esse encontro com os familiares, pois os mesmos delegam a responsabilidade da educação dos seus filhos para escola, sobrecarregando assim a mesma com deveres que seria obrigação dos pais. Muitas vezes, até mesmo os cuidados básicos de higiene dessas crianças como, escovação, cortes de unhas, banho e outros, são negligenciados antes de ir à escola, interferindo assim na rotina, pois entregam as crianças sem dialogar com os professores, quando convocados para reunião poucos comparecem. Ademais, são por esses descasos com as crianças que se elegeu 4 (quatro) questões norteadoras no sentido de problematizar a relação família-escola num contexto de uma creche de educação infantil. Por essa ótica, nota-se que a família é o núcleo social básico de acolhida, convívio, autonomia, sustentabilidade e de protagonismo social, independente, de consanguinidade. Desse modo, a representação da família modificou-se em diversas épocas, repercutindo em padrões familiares segundo a sociedade os ditavas, ou seja, à medida que a sociedade amadurecia e receptava as mudanças que não se enquadravam para os padrões clássicos, o modelo familiar antigamente limitado, disseminava-se, exigindo amparo social. Assim, Lacan (1984) na (p.13) advoga que a família desempenha papel principal na transmissão de cultura, já que entre todos os grupos humanos, a família desempenha um papel primordial prevalecendo como sendo a primeira educação, na repressão dos instintos, na aquisição da língua acertadamente chamada materna. Por isso, a família é considerada a mais antiga instituição social criada pela humanidade. Certamente, quando os seres humanos começaram a se agrupar para facilitar a vida, eles buscavam os laços familiares para promover o agrupamento. Desse modo, entende-se família como um agrupamento por parentesco, o qual dá afinidade às pessoas que convivem juntas, assim, uma protege a outra em razão do sentimento de afeto, carinho e pertencimento ao grupo, na contemporaneidade permitiu entender a família como uma organização subjetiva fundamental para a construção individual da felicidade. Assertivamente, já que, no decorrer histórico, a formação da família era determinada pela necessidade de subsistência e tinha como características essenciais à mútua proteção e a segurança. Era essa necessidade de subsistência quem regulava as uniões e o número de filhos (VENOSA, 2006). Nesse sentido, na (p. 12a) o autor é lúcido quando afirma que “a educação não tem o poder de transformar sozinha a realidade social, é apenas um instrumento para que isso ocorra”. Portanto, “a função primordial da escola é a de projetar-se como instância socializadora do saber historicamente acumulado, objetivando uma transformação social, através de ações elaboradas com objetivos bem definidos que colaborem para essa transformação” (SAVIANI, 2005, p. 12b). Diante disso, na (p. 69) Saviani nos alerta que: “Uma pedagogia articulada com os interesses populares valorizará, pois, a escola; não será indiferente ao que ocorre em seu interior; estará empenhada em que a escola funcione bem; portanto, estará interessada em métodos de ensino eficazes”. Entretanto, a escola ainda que de forma mais tardia e pausada, tem procurado se adaptar a essas mudanças, realizadas na sociedade, juntamente com a família que veem as transformações na área da educação, um tanto lentamente em relação a sociedade que estar a ano luz em prejuízo da educação e o que estamos vendo em nossos dias é a busca pela relação entre ambas, família e escola, promovendo uma maior eficiência na educação e instrução das crianças, em especial na creche. Sobretudo, a LDB em seu Artigo 29, esclarece que: “A educação infantil, primeira etapa da educação básica, tem como finalidade o desenvolvimento integral da criança de até 06 (seis) anos, em seus aspectos físico, psicológico, intelectual e social, complementando a ação da família e da comunidade” (BRASIL, 1996). Assertivamente, podemos entender que na união família e escola na educação infantil, a criança precisa de uma série de elementos para que esse processo aconteça, incluindo o ambiente, que precisa ser tranquilo, harmonioso, carinhoso, e cercado de afeto. É necessário também, uma série de cuidados pessoais, como, proteção e, o principal, muito diálogo. Dessa forma, a família de igual modo, também é responsável por transmitir segurança e uma boa relação entre seus membros, para que o processo de desenvolvimento da criança corra da melhor maneira possível. De acordo com o Estatuto da Criança e do Adolescente – ECA na (p. 68) em seu (art. 4) está explicito que: É dever da família, e da comunidade, da sociedade em geral e do Poder Público assegurar, com propriedade absoluta, a efetivação dos direitos referentes à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao esporte, ao lazer, à profissionalização, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária (BRASIL, 2002). Plenamente, concordamos que o lugar de fala da família nessa parceria com a escola é ocupar também seu papel social na comunidade escolar, uma vez que reconhecer e compreender esse lugar (parceria) é fundamental para analisar de forma crítica e assertiva o que vem sendo construído e perpetuado ao longo dos anos no chão da escola. Ademais, a escola precisa entender que a família tem o seu lugar de fala quando o assunto é ensino e aprendizado do educando na educação infantil como um todo. Paro na (p. 30) também reforça essa relação e afirma: a escola deve utilizar todas as oportunidades de contato com os pais, para passar informações relevantes sobre seus objetivos, recursos, problemas e também sobre as questões pedagógicas. Só assim, a família irá se sentir comprometida com a melhoria da qualidade escolar e com o desenvolvimento de seu filho como ser humano (PARO, 2007). Além disso, somos sabedores de que para a escola obter êxito levando os alunos à aprendizagem, é primordial contar com a participação ativa de todos os envolvidos no processo de ensino-aprendizagem como o grau de fluência crítica e democrática do gestor da respectiva escola, dos pais colaborando profundamente com a escola, dos alunos conscientes de seu papel e dos professores, essenciais no processo escolar. A comunidade escolar estando no mesmo rumo, o sucesso almejado pela escola será atingido. Dessa forma, Lück (2011) já afirmava que: “é importante que a participação seja entendida como um processo dinâmico e interativo que vai muito além da tomada de decisão, uma vez que caracterizado pelo inter apoio na convivência do cotidiano da gestão educacional” (p. 30). Todavia, Tiba (2009) é claro: “os alunos melhoram muito sua performance escolar quando os pais acompanham sua vida de estudantes”. Adiante mais, é proativo e alerta que: “um grupo de pais tem mais força e ação perante a escola e principalmente perante os filhos do que pais isolados” (p. 121). Assim, a gestão escolar deve incentivar essa parceria para que exista uma gestão escolar de qualidade, deve haver o engajamento e a participação efetiva de todos os integrantes da escola, Nesse aspecto, acredita-se que essas duas entidades precisam unir-se, com um único objetivo, que é o de educar e fortalecer a criança para enfrentaras barreiras que vão surgindo no meio dessa longa caminhada, que é o desenvolvimento e a aprendizagem. Quando não existe a parceria entre escola e família, ambas as partes ficam enfraquecidas. Portanto, a falta da família na escola acaba acarretando vários problemas no processo de ensino e aprendizagem dos filhos e, por outro lado, quando convivência escolar não é boa, a convivência familiar também é afetada. Ainda assim, nota-se que é possível ter uma relação mais estreita entre escola e família, mas que ambas precisam cumprir seus papéis. Sendo assim, fica claro que a escola é a principal responsável em promover iniciativas que levem as famílias a participarem da vida escolar do filho, é necessário que a escola como instituição educativa promova a abertura da escola para a família, promovendo atividades culturais, envolvendo nos projetos educacionais e através dos encontros periódicos levarem a família conhecimento sobre os seus direitos e deveres como integrante da comunidade escolar. Conclui-se que no desenvolvimento do trabalho foi possível perceber que a relação entre família e escola só terá validade se estiver formada na confiança, respeito, aceitação de cada uma. Só assim poderemos alcançar uma sociedade coerente, onde seus agentes conheçam e cumpram seus papéis em todos os processos, especialmente o educacional, sem deixar de lado o familiar e social. De forma proativa, ficou claro que os pais são conscientes da importância que tem no desenvolvimento da aprendizagem de seus filhos e quando são parceiro da escola esse momento pode ser de aprendizagem e de engrandecimento para as duas instituições. Nesse andarilhar, quem agradece é a instituição (creche) onde as crianças precisam de todo apoio de ambas as partes: escola-família.
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